Notícia 30/06/2020

SP: Einstein recomenda que médicos não receitem cloroquina

 Hospital informa que nunca teve protocolo para uso do medicamento em casos de Covid-19. Medida agora recomenda que nem a prescrição "off label" da cloroquina seja feita pelos médicos.
O Hospital Albert Einstein enviou nesta quinta-feira (25) um comunicado ao corpo médico recomendando que os profissionais não prescrevam o medicamento cloroquina para tratamento da Covid-19. O hospital informou que nunca teve protocolo para uso da cloroquina, mas disse que os médicos acabam receitando o composto em modo off label, quando o medicamento é usado fora do que é indicado na bula.
(CORREÇÃO: o G1 errou ao informar que o Hospital Israelita Albert Einstein proibiu que médicos usassem a cloroquina em pacientes de Covid-19. Na verdade, o hospital afirmou, em comunicado aos seus profissionais, que não recomenda que o medicamento seja usado nesses casos. A informação foi corrigida às 15h30 do dia 29 de junho.)
"O Hospital Israelita Albert Einstein esclarece que nunca contou com um protocolo de uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Médicos do corpo clínico aberto, porém, poderiam prescrever os medicamentos em acordo com os pacientes confirmados com o novo coronavírus, fazendo a utilização chamada de off label, ou seja, fora das indicações homologadas para os fármacos pela agência reguladora no Brasil, a Anvisa", diz a nota.
Na quinta-feira, ainda segundo nota, "o Einstein recomendou a não utilização, nem em modo off label das medicações em pacientes internados pela infecção causada pelo Sars-coV-2 no hospital, frente ao recente comunicado divulgado pela agência americana FDA revogando a autorização de uso emergencial do medicamento sulfato de hidroxicloroquina e fosfato de cloroquina no atendimento a pacientes com Covid-19, levando em consideração que os estudos não mostraram diferenças em relação ao tratamento padrão e que os benefícios da utilização dos medicamentos não superaram seus riscos conhecidos e potenciais, além de um estudo controlado randomizado não demonstrar evidência e benefícios em relação à mortalidade, ao tempo de internação ou à necessidade de ventilação mecânica."
Antes da atual recomendação, a cloroquina era usada no hospital em 3 circunstâncias: pacientes que participavam de uma pesquisa sobre os efeitos do medicamento; pacientes graves, que não respondiam a nenhum outro tratamento; e no modo "off label".
Sem prescrição na bula
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso off label de um medicamento é quando ele é prescrito para tratar outra indicação que não está prevista na bula.
"O uso off label de um medicamento é feito por conta e risco do médico que o prescreve, e pode eventualmente vir a caracterizar um erro médico, mas em grande parte das vezes trata-se de uso essencialmente correto, apenas ainda não aprovado."
Ainda de acordo com a Anvisa, "há casos mesmo em que esta indicação nunca será aprovada por uma agência reguladora, como em doenças raras cujo tratamento medicamentoso só é respaldado por séries de casos. Tais indicações possivelmente nunca constarão da bula do medicamento porque jamais serão estudadas por ensaios clínicos."
A agência ainda informa que "o que é off label hoje, no Brasil, pode já ser uso aprovado em outro país. Não necessariamente o medicamento virá a ser aprovado aqui, embora frequentemente isso vá ocorrer, já que os critérios de aprovação estão cada vez mais harmonizados internacionalmente."
Em maio, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) pediu a suspensão das orientações do Ministério da Saúde que recomendam o uso de medicamento anti-malárico para casos leves de Covid-19. Em nota, a entidade reforçou que não há eficácia comprovada para prevenção ou tratamento da doença.
Risco de arritmia cardíaca
Uma pesquisa científica publicada na renomada revista "The Lancet" com 96 mil pacientes aponta que a hidroxicloroquina e a cloroquina não apresentam benefícios no tratamento da Covid-19. Os resultados divulgados mostram que também não há melhora na recuperação dos infectados, mas existe um risco maior de morte e piora cardíaca durante a hospitalização pelo Sars CoV-2.

Fonte: (G1)

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