Notícia 29/03/2019

Saúde diz que 85% dos casos de dengue são do tipo mais grave

Os casos são provocados pelo sorotipo 2, que não circulava com intensidade desde 2008. Segundo o ministério, essa é a explicação para o aumento da ocorrência e do índice de mortalidade da doença. Oito estados e o Distrito Federal estão em estado de alerta por causa da circulação do vírus. 
De cada 100 casos de dengue no país analisadas pelo Ministério da Saúde, 85 são do tipo mais grave da doença, causada pelo sorotipo 2. O sorotipo não circulava de forma intensa desde 2008 e boa parte da população nunca entrou em contato com o vírus. Essa é a principal explicação do governo federal para o aumento de 264% no número de casos registrados em 2019, na comparação com o mesmo período do ano passado. E também para a alta de 67% no índice de mortes. A circulação do vírus colocou o Distrito Federal e outros 8 estados em alerta: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul e Tocantins. O médico epidemiologista Pedro Luiz Tauil explica que existem 4 sorotipos da dengue e que o que está em circulação no país é considerado o mais letal: 
"Uma pessoa pode ter dengue quatro vezes na vida. Os tipos de dengue exigem imunidades diferente e possuem gravidades diferentes. O mais grave é o 2. Quando ele entrou no país, encontrou uma massa de gente suscetível." 
A publicitária Lúcia Araújo perdeu o pai no mês passado. João Martins de Araújo tinha 71 anos. Ele começou a passar numa sexta-feira à noite e morreu no domingo: 
"Meu pai nunca teve dengue. Foi uma dengue diferente, uma dengue devastadora. A gente não acreditou. Meu pai era uma pessoa extremamente saudável, não aparentava a idade que tinha, era ativo. Foi devastador para a família porque a gente achava que a dengue não agiria de forma tão rápida. A gente não teve nem condições de tratá-lo." 
O estado de São Paulo concentra a metade das mortes registradas no país. Foram 31 casos nas 11 primeiras semanas do ano: 12 só na cidade de Bauru. A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do estado, Regiane de Paula, explica que a doença tem um ciclo médio de 3 ou 4 anos. Por isso, já era esperado o aumento de casos em 2019, mas não com um tipo diferente do vírus: 
"Desde 2015, nós tínhamos prevalência do sorotipo 1, o que fez com que as pessoas infectadas ficassem imunes. A entrada do sorotipo 2 faz com que mais pessoas estejam suscetíveis ao sorotipo dois. Mais casos acontecem e há a chance de agravamento desses casos. Isso é fundamental e a gente tem monitorado. Hoje, 57 municípios têm a circulação [do sorotipo 2]. É o sorotipo que está circulando em todo o estado." 
O coordenador do Programa Nacional de Controle das Doenças Transmitidas pelo Aedes aegypti, Rodrigo Said, explica que a principal preocupação, agora, é evitar mais mortes: 
"O nosso grande objetivo é evitar a ocorrência do óbito. Agora, em que há transmissão, é importante organizar todas as ações de controle e mobilizar a população de forma intensa para desenvolver uma ação integrada. É de extrema importância, neste momento, a preparação dos serviços de saúde para evitar a ocorrência dos óbitos por dengue." 
O Ministério da Saúde diz que são 229 mil casos de dengue no país e 62 mortes. 

Fonte: (CBN)

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