Notícia 13/08/2020

Pesquisadora explica processos para que uma vacina seja segura

Médica imunologista e pesquisadora da University College London explicou que não houve tempo hábil para a Russia testar a eficácia da vacina; Governo do Paraná deve assinar acordo sobre produção da Sputnik, nesta quarta-feira (12).
 

 Em entrevista à RPC, a pesquisadora explicou como funciona os processos para que uma vacina seja desenvolvida de forma segura.
De acordo com a médica, ainda se sabe pouco sobre a Sputnik V e essa é a grande preocupação sobre a vacina.
O que se sabe, até o momento, é de que é uma vacina que usa uma tecnologia similar a outras que estão sendo testadas, como a vacina de Oxford, que utiliza vetores virais.
A vacina russa é questionada pela comunidade internacional porque ainda se sabe pouco sobre sua eficácia. O site oficial sobre a pesquisa afirma que, em 1° de agosto, os testes das fases 1 e 2 foram concluídos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que sejam realizadas três etapas de testes.
Como funcionam os testes?
De acordo com Ariane, a vacina russa está na fase 3 dos testes. Em geral, nesse período, os pesquisadores selecionam um grupo de voluntários, entre 30 mil a 50 mil pessoas, para receber a vacina, e outro grupo de pessoas que não receberão a vacina.
Após essa seleção, os estudiosos acompanham esse grupo por um período de tempo, até que eles sejam expostos ao vírus.
"Esse processo leva bastante tempo. Existem maneiras de acelerar um pouco, por exemplo, se você seleciona o seu grupo com trabalhadores da linha de frente, da área de saúde, que estão mais expostos ao vírus, então, talvez, isso possa acelerar. Mas, certamente, você não consegue isso em uma semana", explicou.
Conforme a médica, não é possível que os voluntários testados pela Russia apresentem os sintomas do vírus no período de sete dias.
Divulgação das pesquisas
Pesquisas sobre vacinas costumam ser publicadas em jornais científicos ou em comunicados direcionados à imprensa, segundo a médica. Entretanto, isso não ocorreu no caso da vacina Sputnik V.
Nessas divulgações, os pesquisadores apresentam dados, protocolos que seguiram durante o desenvolvimento científico, número de participantes testados, como foi planejado o estudo, quais foram os efeitos da vacina, entre outros dados disponibilizados para a comunidade científica.
Corrida pela vacina
A pesquisadora destaca que nessa busca mundial pela vacina a comunidade científica está explorando todas as formas de tecnologias e isso é importante para aumentar as chances de acerto.
"As vacinas que estão mais avançadas são as pesquisas que usam o vetor viral. Esse vetor viral é um vírus que circula normalmente na população, que não causa nenhuma doença, talvez, um resfriado. Nesse caso, eles colocam parte do coronavírus dentro do vírus que não causa doença. Quando o voluntário recebe a vacina, o corpo reconhece as proteínas, esses pedaços do coronavírus, e dá uma resposta para quando, de fato, vier o vírus de verdade, o nosso corpo já criou uma memória e sabe como combater o coronavírus."
Ariane também destacou a pesquisa da China, em que usam o vírus inativado. Ou seja, o coronavírus é produzido em laboratório e inativado: "O vírus está morto e, mesmo assim, tem todos os pedacinhos que o nosso corpo vai reconhecer e fazer uma resposta contra ele."
Ela disse ainda que alguns dos desenvolvedores da vacinas estão bem avançados nos estudos. Por isso, a expectativa é de que até dezembro alguns países consigam ter acesso às vacinas.
Caso as pesquisas comprovem a eficácia do combate ao vírus, é possível que a partir do ano que vem as vacinas sejam distribuídas em larga escala pelo mundo.

Fonte: (G1)

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