Notícia 22/05/2017

Equipe econômica tenta frear onda de pessimismo

Apesar da gravidade da crise política, a posição da equipe econômica é que a turbulência terá impacto temporário sobre a economia e que tanto o crescimento do PIB quanto o da arrecadação não serão afetados. 
Na quinta (18) e na sexta (19), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, telefonou a diversos representantes do mercado financeiro, como bancos e gestores de recursos, para tentar acalmar o mercado sobre as consequências das delações da JBS na atividade econômica. 
Na avaliação do Ministério da Fazenda, a economia brasileira é muito mais robusta que no passado, o que blindaria o país de crises políticas com mais facilidade. O deficit externo caiu de 4% para 1,3% do PIB, e a inflação está baixa. 
Até mesmo as reformas, na avaliação da equipe econômica, podem demorar alguns meses a mais para serem aprovadas, mas devem passar no Congresso. 
Na quinta, dia seguinte à notícia de que o empresário Joesley Batista gravou conversa com o presidente Michel Temer, o dólar avançou 8,68%, para R$ 3,37, e a Bolsa caiu 8,8%. No dia seguinte, o mercado recuperou parte das perdas, e o dólar recuou 3,92%, para R$ 3,25. A Bolsa subiu 1,69%. 
ROMBO 
Em meio ao turbilhão causado pelas delações da JBS, a equipe econômica passou a sexta buscando receitas para fechar o Orçamento de 2017, cuja programação, atualizada a cada bimestre, será apresentada nesta segunda (22). 
Desde o mais recente relatório de receitas e despesas, feito a cada dois meses pelo Ministério do Planejamento, o governo concluiu que a arrecadação administrada pela Receita Federal será R$ 6 bilhões menor que a esperada. 
Na raiz dessa diferença, estão as concessões feitas pelo governo, antes de instalada a crise política, para atender à pressão por condições mais favoráveis em parcelamentos de dívidas tributárias. 
Para cobrir esse buraco, Temer assinou na sexta duas medidas provisórias que vão gerar receitas adicionais nesse mesmo montante. 
Foram autorizadas antecipações de outorgas já licitadas de aeroportos no valor de cerca de R$ 2,5 bilhões. 
O governo espera arrecadar mais R$ 3,5 bilhões em um novo Refis, voltado para o parcelamento de dívidas com agências reguladoras, autarquias e fundações. 
A equipe econômica quer ir além e trabalha para desbloquear parte dos R$ 42 bilhões do Orçamento, quantia congelada em março como parte do esforço para tentar alcançar a meta de deficit neste ano, de R$ 139 bilhões. 
A liberação de recursos é considerada necessária porque há despesas obrigatórias de saúde e com o custeio da máquina administrativa que precisam ser executadas. A decisão sobre o descontingenciamento será tomada nesta segunda-feira. 
IMPOSTOS 
Além da outorga de aeroportos e de mais um Refis, o governo conta com receitas de precatórios vencidos liberados por autorização judicial, no valor de R$ 4,5 bilhões, para fechar as contas. 
Pretende contabilizar também a venda de lotes do pré-sal que serão leiloados no primeiro semestre, no valor de R$ 3,5 bilhões, além de R$ 1,5 bilhão que seria pago em indenização à Cemig neste ano, mas que foi adiada para 2018. 
No fim de março, além do bloqueio, o governo anunciou a reoneração da folha de pagamento de cerca de 50 setores da economia. 
A busca por receitas é feita para contornar um aumento de impostos. 

Fonte: (MAELI PRADOUNO BOGHOSSIAN e MARIANA CARNEIRO - Folha de S.Paulo-21.05)

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