Notícia 14/07/2017

DF: Indenização por compressa esquecida no corpo

Ela passou por cesárea na rede pública e descobriu 113 dias depois que material continuava no abdômen. 'Nunca achei que fosse acontecer comigo', diz mulher. 
A Justiça condenou o governo do Distrito Federal a indenizar uma paciente da rede pública que ficou com uma compressa de gaze esquecida dentro do abdômen depois de passar por uma cirurgia. Ela também sofreu "sequelas graves" ocasionadas pelo esquecimento. Pela decisão, o GDF terá de pagar R$ 200 mil por danos morais, R$ 100 mil por danos estéticos e custear uma cirurgia reparadora. 
Questionado pelo G1, o governo informou que vai recorrer da decisão. O caso aconteceu após a mulher precisar ser submetida a uma cesariana de urgência, no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em março de 2015. Ela tinha 28 anos na época. 
A compressa dentro do corpo só foi descoberta 113 dias depois, quando ela precisou passar por um novo procedimento para retirá-la. Nesta segunda cirurgia, perdeu parte dos intestinos delgado e grosso porque a gaze havia se prendido, sendo obrigada a usar bolsa de colostomia, enquanto ainda amamentava o bebê. 
Durante o processo, o governo negou os fatos apresentados pela paciente e argumentou que não era o caso de indenizá-la. Ainda assim, para o juiz Paulo Afonso Cavichioli Carmona, da 7ª Vara de Fazenda Pública, não há dúvidas sobre a imprudência médica. Ele entendeu que é dever do Estado pagar indenização, inclusive por ela "viver situação pessoal de constrangimento". 
“Cumpre destacar que nenhum dos médicos que intervieram no parto cesáreo informou à autora que havia uma compressa de gaze no interior do seu corpo", escreveu o juiz na sentença. 
Indignação 
Ao G1, a paciente, uma auxiliar financeiro, disse ainda se sentir indignada com o que aconteceu. "Eu sabia que existia esse problema, dizem que acontece direto, mas nunca achei que fosse acontecer comigo." 
"Achei que eu iria me recuperar logo. Só depois de uns três dias é que me dei conta da gravidade. Hoje em dia, estou com pé atrás de fazer cirurgia", declarou. 
"Eu queria ver o médico que fez meu parto. Me falaram que ele estava de férias. Só o vi no dia da audiência. No final de tudo, disse que só poderia pedir desculpas, que aquilo acontece, que foi um erro e que ele era humano. Ele contou que nunca tinha acontecido em 35 anos de medicina." 
O advogado da paciente, Fernando Martins, disse que houve negligência por parte do hospital. "Ela ficou mais de dois meses indo e vindo ao hospital se queixando de dores, e eles disseram que era normal, tudo relacionado ao parto. Se ela já tivessem feito o exame aí, já teriam identificado o problema, e os danos seriam muito menores." 

Fonte: (Gabriel Luiz - G1)

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