Dólar cai 2,15%, após tensão nos últimos dias

03/09/2018 | 09:44

 

Uma conjunção de fatores levou o mercado de câmbio a um movimento significativo de desmontagem de posições em dólar. Com o cenário externo menos avesso ao risco, a moeda mostrou queda de 2,15% e terminou cotada a R$ 4,0646. 
Apesar da queda de 1% no acumulado da semana, o dólar à vista encerrou o mês de agosto com valorização de 8,23% ante o real, maior variação mensal desde 2015. 
A alta foi justificada pelo aumento das incertezas quanto ao cenário eleitoral doméstico, em meio aos ruídos nas relações comerciais dos Estados Unidos e as crises cambiais na Turquia e na Argentina. Antes que o dólar atingisse seu maior valor nominal desde o Plano Real na última sexta-feira o Banco Central voltou a ofertar contratos de swap cambial. 
A moeda americana teve uma abertura volátil, sob influência da formação da última taxa Ptax do mês, que baliza os contratos vincendos no início de setembro. 
Internamente, contribuiu para a definição do sinal de queda o leilão de US$ 2,15 bilhões em linha cambial. Externamente, foi fator importante o fortalecimento do peso argentino ante o dólar, após o FMI ter garantido apoio à Argentina para fortalecer o país. 
A desmontagem de posições ganhou força gradativamente à tarde, primeiro com o final do período de formação da Ptax de agosto. Depois, com a notícia de que o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) havia incluído em sua pauta o julgamento do registro de candidato do ex-presidente Lula, sinalizando para a definição do imbróglio das últimas semanas. 
Segundo operadores, a queda acelerada trouxe de volta ao mercado os exportadores que vinham represando seus dólares nos últimos dias, ainda buscando garantir os ganhos com a cotação atrativa. 
“O Banco Central anunciou leilões de swap e de linha, injetando liquidez instantânea aos negócios. A menor preocupação de contágio da crise Argentina e a expectativa pelo julgamento do TSE completaram o quadro para a desmontagem de posições”, diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. 
Mercado acionário 
Os investidores também mostraram nível de aversão ao risco menor em relação à renda variável na sessão da última sexta-feira, mesmo com os principais índices do mercado acionário dos Estados Unidos em leve queda e a continuidade da crise da Argentina. 
O Ibovespa fechou o último pregão de agosto em leve alta de 0,36%, aos 76.677,53 pontos. Com isso, o principal índice da Bolsa brasileira conseguiu encerrar a semana com ganhos acumulados de 0,54%. 
No entanto, não foi possível reverter a queda de pouco mais de 3% no mês. O giro financeiro foi mais forte e chegou a R$ 11,3 bilhões. 
Entre as blue chips, a Petrobras ganhou 1,85% (ON) e 2,45% (PN). No bloco financeiro, Itaú Unibanco PN liderou os avanços com 1,37%, seguido por Bradesco PN, 1,36%, Units do Santander, 1,02%, e Banco do Brasil ON, 0,57%. Na contramão, Vale ON fechou com perdas de 1,74%. 
Os juros futuros ampliaram a queda. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 8,67%, de 8,80% no ajuste anterior, e a taxa do DI para janeiro de 2021 acabou caindo de 9,95% para 9,81%. 
A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou a 11,39%, de 11,57%, e a do DI para janeiro de 2025 terminou em 12,11%, de 12,30%.

Fonte: (Agência Estado)