GO: Bebê de 3 meses morre enquanto aguardava vaga de UTI em Goiânia

28/08/2018 | 09:38

 

Criança tinha doença no coração, e família denuncia que hospital demorou a entregar novo laudo que possibilitaria a transferência. HMI diz que vai verificar prontuário para se manifestar; SMS afirma que estava dentro do prazo para cumprir decisão. 
Uma recém-nascida de apenas 3 meses morreu enquanto esperava pela transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, em Goiânia. Segundo a família, Milena Pacheco da Silva tinha um problema de coração e estava internada no Hospital Materno Infantil (HMI) aguardando pelo leito para ser operada. Porém, mesmo com uma decisão judicial, ela não foi transferida. 
O HMI disse que vai se inteirar sobre o caso. Já a Secretaria de Saúde de Goiânia afirmou que não havia leitos disponíveis e que estava dentro do prazo para cumprir a decisão judicial. 
Milena morreu no sábado (25). A mãe dela, Lidiana Barbosa da Silva Pacheco, disse que desde quando a filha nasceu, perambulou por vários Centros de Apoio Assistencial à Saúde (Cais) sempre recebendo o diagnóstico que a filha tinha refluxo. 
Então, ela resolveu pagar uma consulta particular com um pediatra, que pediu um ecocardiograma, e descobriu que a menina tinha uma doença no coração e precisava da cirurgia com urgência. O médico chegou a dizer que não sabia como a criança havia resistido tanto tempo. 
Diante da situação, Lidiana foi com a filha para o Cais do Setor Campinas e somente três dias é que ela conseguiu a internação, mas o HMI, que não tinha o tratamento que ela precisava. Na unidade, ela ficou internada por quatro dias aguardando a transferência e morreu. 
Decisão judicial 
Em Goiânia, o Hospital de Criança é o único vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS) que poderia fazer a cirurgia de Milena. O tio dela, Carlos Pacheco de Oliveira, procurou a Defensoria Pública, que pediu um laudo mais detalhado. 
Porém, de acordo com ele, o HMI demorou a entregar o documento. Ele fez um vídeo no hospital mostrando a situação. "Eu cheguei às 6h40 eles alegaram que era troca de horário. Vai dar 7h50 e até agora está em troca de horário". 
O tio afirmou que o laudo só foi entregue três horas depois, mas a Defensoria já estava fechada. Desesperado, ele pediu ajuda pelas redes sociais e conseguiu auxílio de um advogado, que encaminhou o caso para um juiz. 
A situação foi analisada no mesmo dia. A Justiça expediu uma decisão obrigando a Secretaria de Saúde de Goiânia a transferir Milena imediatamente, mesmo que tivesse que pagar a internação em um hospital particular, pois o atraso poderia resultar na morte da criança. 
A família disse que a decisão chego à secretaria de Saúde no fim do dia, mas não foi cumprida. A morte da recém-nascida revoltou Carlos. 
 “Fui ligando e eles não me davam nem moral, desligava na minha cara, falavam que não tem vaga e nós não vamos pagar pela particular. Aí não deu tempo que a médica falou que ela estava só piorando, arruinando e quando foi 11h da noite, deu essa notícia [da morte dela]". 
Respostas 
À TV Anhanguera, o HMI informou que somente nesta segunda-feira (27) vai ter acesso ao prontuário de Milena para responder porque o tio da criança teve que esperar horas pelo relatório médico mais detalhado. 
Já a Secretaria de Saúde de Goiânia disse que, infelizmente, não havia leitos disponíveis, nem pelo SUS, nem pela rede particular, para transferir a paciente. Informou ainda que somente o Hospital da Criança poderia atender o caso em todo o estado. 
Por fim, a prefeitura disse que recebeu a determinação da Justiça e estava dentro do prazo para cumpri-la, mas ainda não havia surgido leito. Diante da gravidade, a criança foi transferida para o HMI, onde recebeu todo suporte até que a vaga fosse liberada.

Fonte: (Sílvio Túlio - G1)