Multinacionais buscam consolidação do setor de hemodiálise no Brasil

16/07/2018 | 08:29

O investimento externo no segmento de clínicas, permitido desde 2015, tem sido crescente 


O mercado de clínicas de hemodiálise no Brasil deverá passar por uma nova onda de aquisições liderada por multinacionais do segmento. 
O investimento externo no setor, permitido desde 2015, tem sido crescente. “Há entre 50 e 70 centros nas mãos das estrangeiras, e a tendência é de consolidação”, diz Carmen Tzanno, da Sociedade Brasileira de ?Nefrologia. 
O Brasil tem hoje cerca de 750 clínicas de hemodiálise. Dessas, 70% são privadas, 22% filantrópicas e 8% públicas, segundo a entidade. O SUS (Sistema Único de Saúde) arca com o tratamento de 86% dos pacientes. 
O Brasil tem hoje cerca de 750 clínicas de diálise, 70% delas privadas - Ronny Santos - 5.fev.15/Folhapress 
“O reembolso do governo é muito pequeno e não tem reajuste há anos, o que deixou o setor endividado”, diz Edson Pereira, da alemã Fresenius, que fabrica insumos e também tem uma rede de centros. 
Os pontos mais visados pela companhia, que comprou duas unidades em 2018, estão localizados no Sul e no Sudeste, que têm rede privada maior. 
A Baxter, indústria de produtos para pacientes com doença renal que administra três clínicas, confirma que a consolidação é tendência, mas não revela seus planos de expansão. 
“As fabricantes de insumos ganham na escala, usam os próprios produtos. A depreciação do real frente ao dólar e a fragmentação do setor também tornam o Brasil atraente”, diz Tzanno. 
A DaVita, que tem 27 clínicas, comprou 10 no último ano e prevê fechar 2018 com 30 unidades. A empresa investe na construção de centros, além das aquisições. 
“Nossa expansão por compras continuará em áreas onde já operamos”, diz o diretor de operações, Bruno Haddad. 
“O risco é que haja cartelização, como ocorreu nos Estados Unidos. As corporações poderão pressionar o governo para obter melhores preços”, diz o presidente da Pró-Renal, Miguel Riella. 
Apetite por aquisição 
A Fresenius Medical Care, de produtos e serviços para tratamento de doenças renais, vai aportar cerca de R$ 100 milhões até o fim do ano na modernização de sua fábrica em Jaguariúna (SP) e na aquisição de clínicas de diálise. 
A multinacional opera hoje 30 centros no país, dois deles comprados neste ano. A companhia passou a ter unidades de diálise no Brasil em 2015. 
“A maioria das clínicas aqui é administrada por nefrologistas e tem baixa rentabilidade por conta da defasagem no repasse pelo pelo governo pelos procedimentos. Chegou a 40% em dez anos”, diz o presidente, Edson Pereira. 
“Olhamos para empresas em capitais e mercados que possuam um sistema de saúde suplementar bom, ou que tenham prefeituras e estados que complementam os repasses federais”, afirma. 
A marca não fornece, atualmente, insumos às regiões Norte e Nordeste. “Nossa planta fica em São Paulo, o custo logístico seria alto.” 
Na fábrica, o aporte será na robotização de processos. 
€ 33,88 bilhões 
(R$ 152,62 bi) foi a receita global do grupo em 2017 
2.500 
é o total de funcionários no país. 

Fonte: (MAria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)