Insulina em pílula pode se tornar novo tratamento para diabetes

05/07/2018 | 10:39

 

Testes em camundongos mostram que a pílula poderá ser ainda mais eficiente que a injeção

O atual tratamento para o diabetes tipo 1, no qual o pâncreas não produz insulina (hormônio crucial para regular os níveis de açúcar no sangue), acontece por meio de injeções diárias – normalmente aplicadas duas ou quatro vezes por dia. Já no caso do diabetes tipo 2, a insulina produzida pelo corpo é insuficiente ou o corpo não responde ao hormônio da maneira como deveria, por isso alguns pacientes também precisam utilizar as injeções para tratar a doença.

Segundo Samir Mitragotri, coautor do estudo e professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o procedimento com injeções é invasivo e doloroso para os diabéticos, especialmente para os pacientes que sofrem do tipo 1 por causa de uma incompatibilidade com a insulina.

Pílula de insulina

Para criar a medicação alternativa contra o diabetes, os pesquisadores adotaram uma nova abordagem ao dispersar insulina em um líquido feito de dois componentes: a colina, nutriente que faz parte do complexo B de vitaminas, e o ácido gerânico, substância usada como tempero de alimentos. Durante os experimentos, a equipe colocou a mistura dentro de cápsulas feitas de um material capaz de suportar o poder de corrosão do suco gástrico e as injetou na garganta de seis ratos.

As observações revelaram que os níveis de açúcar no sangue dos animais caíram rapidamente, atingindo nas duas primeiras horas cerca de 62% dos níveis iniciais e 55% em dez horas. Em contrapartida, quando a insulina foi oferecida em solução salina ou em cápsulas contendo colina ou ácido gerânico separadamente, notou-se pouco efeito nos níveis de glicose no sangue.

Injeção é menos eficiente

Os cientistas ainda realizaram testes com um quinto da dose de insulina em forma de injeção e os resultados mostraram que o nível de glicose no sangue dos camundongos diminuiu rapidamente para quase metade. No entanto, após quatro horas, o valor se aproximou do nível inicial. O principal autor do estudo explica que a aplicação de uma dose menor de insulina injetada foi dada porque não há barreira à entrada do hormônio na corrente sanguínea, ou seja, o valor menor não interferiu nos resultados.

A eficiência da pílula em comparação com a injeção pode ser explicada pelo fato de que o líquido no qual a insulina foi dispersada impede que o hormônio seja decomposto por enzimas do sistema digestivo depois que a cápsula se dissolve.

Essa técnica ajuda a substância a passar pela camada de muco do intestino, permitindo sua entrada nas células intestinais, o que ajuda a insulina a chegar até os vasos sanguíneos. “Como a pílula é capaz de fazer todas as três coisas que são as três principais barreiras para a entrega oral da medicação para o diabetes, ela é muito eficaz em aumentar a absorção de insulina”, disse Mitragotri ao The Guardian.

Pílulas duram mais

Ao contrário da soluções de insulina para injeções, que têm de ser refrigeradas e duram apenas algumas semanas, o líquido utilizado na pílula permanece estável por dois meses à temperatura ambiente e pelo menos quatro meses se refrigerada, o que pode melhorar o tempo útil do medicamento.

Apesar dos resultados promissores, a nova medicação ainda precisa passar por ensaios clínicos, que só devem acontecer depois que testes em animais diabéticos mostrarem os mesmos efeitos (os camundongos que participaram do estudo eram não diabéticos). Por causa disso, a pílula pode levar anos para chegar ao mercado.

Além disso, alguns especialistas não têm certeza se a nova abordagem vai fornecer os níveis básicos de insulina exigidos pelos diabéticos tipo 1, ou se poderia ser usada para fornecer a quantidade de insulina necessária para os pacientes tipo 2.

Fonte: (Veja.com)