Perspectiva positiva para os papéis da Petrobras

22/05/2018 | 09:11

 

As ações da Petrobras acumulam alta superior a 60% no ano, graças à valorização do petróleo no mercado externo e aos efeitos da reestruturação da empresa. Este mês, a estatal voltou a superar a Ambev em valor de mercado. A perspectiva para os papéis ainda é positiva, mas especialistas alertam que esse é um investimento de médio e longo prazos, já que as eleições levarão volatilidade ao mercado. 
As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal têm valorização de 59,3% no ano, e as ordinárias (ON, com voto), de 78,3%. No mesmo período, a alta do Ibovespa, índice de referência da Bolsa, é de apenas 8,7%. Hoje, os papéis estão muito acima do patamar registrado no início de 2016, quando a cotação do barril do petróleo havia caído a cerca de US$ 20 - agora está perto dos US$ 80 -, e temia-se que a Petrobras precisasse de uma capitalização, dado o tamanho de sua dívida. 
Marco Saravalle, analista da XP Investimentos, lembra que, nos últimos pregões, as ações da estatal sofreram forte variação devido à incerteza da negociação sobre a cessão onerosa, mecanismo pelo qual a empresa terá direito a explorar cinco bilhões de barris de petróleo da camada pré-sal. Mas ele ressalta que isso não tira a atratividade do papel. 
- Tivemos uma volatilidade maior na semana passada. Mas, com o petróleo nesse nível e a metologia de reajuste de preços adotada pela Petrobras, a empresa deve continuar apresentando bons resultados. Ela vai ter caixa maior e, com isso, reduzir sua dívida. A percepção de risco em relação à empresa está menor também - explica Saravalle. 
No primeiro trimestre, a Petrobras teve lucro de R$ 6,961 bilhões, alta de 56% frente a igual período de 2017. A empresa também tem vendido ativos, o que ajudou a reduzir a dívida, que era de R$ 270,7 bilhões em março - 75% atrelados ao dólar. A expectativa é de melhora constante dos resultados, à medida que o endividamento caia. VOLTA AO PATAMAR DE 2010 A perspectiva de médio e longo prazos é positiva, mas Saravalle lembra que, por se tratar de uma empresa cujos preços estão atrelados a uma commodity, a volatilidade é maior. E ficará mais intensa no período eleitoral. 
- Estamos perto de uma eleição, e nem o nome dos candidatos está definido. Além disso, a Petrobras é uma ação ligada a commodities. O investidor que comprá-la precisa ter um perfil que aceite mais risco. De qualquer forma, o momento operacional da estatal e do preço do petróleo ajudam - avalia Saravalle. 
Mas, com a melhora dos resultados, a estatal anunciou no início do mês a distribuição de R$ 652,2 milhões aos acionistas, na forma de juros sobre o capital próprio (JCP), sujeitos a 15% de Imposto de Renda (IR). Apesar do volume baixo, o pagamento foi visto como um sinal positivo, de que a empresa, com uma geração de caixa melhor, voltará a distribuir dividendos - atrelados ao lucro e isentos de IR. 
- O grande marco da empresa foi mudar sua política de preços, acompanhando a cotação do petróleo. Isso deu previsibilidade ao caixa da estatal. Agora, começa a remunerar o investidor, o que é positivo - diz Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research. 
Com a valorização deste ano, as ações da Petrobras voltaram ao patamar de setembro de 2010, quando foi feita a megacapitalização para levantar recursos para a exploração do pré-sal - a oferta chegou a R$ 120,3 bilhões, a maior feita por uma empresa brasileira no mercado. Na ocasião, os papéis PN foram ofertados a R$ 26,30, e os ON, a R$ 29,65. Mas especialistas lembram que essa comparação não considera a inflação acumulada no período, em torno de 60% pelo IPCA. Ou seja, ainda há um longo caminho à frente. 
Para quem passou a investir na Petrobras no início de 2016, quando as ações afundaram, o ganho é muito maior. Na ocasião, as PN chegaram a R$ 4,20, e as ON, a R$ 5,93. 
Apesar do cenário positivo, a Petrobras não deve escapar do "kit eleições" - composto pelos papéis mais afetados pelas pesquisas eleitorais. O avanço da intenção de votos em candidatos pró-reformas, como a da Previdência, fará as ações subirem. Se isso não ocorrer, haverá queda. O kit inclui as demais estatais, como Eletrobras e Banco do Brasil. 
- A Petrobras foi salva pela alta do petróleo, mas agora terá de encarar uma maior volatilidade e ficará refém das pesquisas até as eleições - diz Tiago Reis, da Suno Research. 

Fonte: (Ana Paula Ribeiro - O Globo)