Síndrome de apneia obstrutiva: Sono de tormenta

15/05/2018 | 08:22

 

Se você sofre da síndrome de apneia obstrutiva do sono, significa que não respira bem quando dorme. Há alguns anos, as clínicas de medicina preventiva localizadas nos grandes centros urbanos mundiais desenvolvem seus trabalhos levando-se em conta o estilo de vida de seus clientes. A medicina preventiva aplicada ao estilo de vida é uma especialidade nova, que cresce em importância nos países mais avançados. 
Em recente congresso, promovido pelo American College da Medicina do Estilo de Vida, em Tucson, Arizona, muitos médicos de várias procedências foram certificados na especialidade em pauta. Por que a prevenção na saúde está se voltando para o estilo de vida? Segundo estudos da Universidade de Stanford, Califórnia, 73% das mortes ocorridas nos dias atuais têm relação direta com o modo de viver nocivo adotado pela maioria da população dos grandes centros urbanos. 
Três pilares fundamentais devem ser realçados na orientação aos clientes em busca de um estilo de vida: a alimentação equilibrada, a atividade física aeróbica regular e o sono repousante. 
No Brasil, estima-se que mais de 20% da população examinada têm predisposição à apneia do sono, que é confirmada em exame específico. O sono interrompido ou sem qualidade mantém os níveis sanguíneos de cortisol e glicose elevados durante o período noturno, reduzindo a sensibilidade à insulina e diminuindo os níveis sanguíneos de leptina durante o dia, o que promove uma procura maior por alimentos ricos em carboidratos, totalizando em média 300-500 calorias a mais de ingestão no dia seguinte. 
Os resultados, em médio prazo, são a duplicação do risco de obesidade e o aumento do índice de massa corporal, e das chances de desenvolver síndrome metabólica e diabetes tipo 2. Outro agravante desse quadro, a fragmentação do sono em função da apneia é um fator de risco cardiovascular severo, que potencializa a hipertensão arterial, o desenvolvimento de infarto do miocárdio, o acidente vascular cerebral e a alteração do ritmo cardíaco. 
Estudos publicados sobre este tema por pesquisadores da Universidade de Stanford, em colaboração com a Universidade Queen’s, de Belfast (Irlanda do Norte), reuniram dados sobre mais de quatro milhões de homens e mulheres. Aqueles que convivem com a síndrome da apneia do sono apresentam um risco 26% maior de desenvolver alterações cognitivas, em particular das funções executivas do cérebro, isto é, das capacidades necessárias para se adaptar a situações novas. Sob circunstâncias normais, elas são preciosas quando se trata de fazer várias coisas ao mesmo tempo ou planejar ações. Uma vez diagnosticada a síndrome da apneia do sono, o tratamento é simples e os resultados são extraordinários. 
Quem convive com síndrome da apneia do sono tem risco 26% maior de desenvolver alterações cognitivas. 

Fonte: (Gilberto Ururahy - G1)