Quando se pensa no parto, nasce uma mãe

14/05/2018 | 09:59

Decidir de que forma deseja que seu filho chegue ao mundo confere à mulher o empoderamento necessário nessa virada de chave que marcará a sua vida 


Dizem que, quando nasce um bebê, nasce uma mãe. Mas essa mãe nasce antes mesmo do parto. Falando em mães biológicas, podemos dizer que nasce no momento em que a mulher se descobre grávida e, de posse das informações necessárias, se torna parte ativa na decisão pelo tipo de parto que pretende ter. 
Decidir de que forma deseja que seu filho chegue ao mundo confere à mulher o empoderamento necessário nessa virada de chave que marcará a sua vida. Isso impõe dois grandes desafios para os serviços de saúde: ter a mulher no centro do cuidado e entendê-la como participante ativa no planejamento de melhorias da assistência obstétrica. 
Sabemos que apenas o desejo da mãe não garante que tipo de parto terá, especialmente para aquelas que desejam parto normal. Contudo, estar munida de informações com base em evidências científicas e ter uma postura ativa no diálogo com profissionais de saúde e nas decisões sobre a gravidez e o parto é uma forma de se posicionar com autonomia num cenário em que as decisões sobre o tipo de parto nem sempre são pautadas por critérios clínicos e pelo desejo da mulher. 
Pesquisa que estudou o processo de decisão pelo tipo de parto no Brasil evidenciou que, no setor privado, 99% das mulheres em primeira gravidez que preferiram cesariana do início ao fim da gestação tiveram seu desejo respeitado. 
Já entre aquelas que mantiveram a preferência pelo parto vaginal, 40% tiveram esse tipo de parto. Esse dado nos permite duas análises: a positiva é que o grupo de mulheres que manteve a decisão pelo parto vaginal até o final da gestação apresentou um percentual de cesariana de 60%, ou seja, bem abaixo da média do setor privado, de 84%, demonstrando que a escolha informada das mulheres é capaz de influenciar os desfechos em saúde. A negativa é que esses 60% de mulheres gostariam de ter tido um parto vaginal e não encontraram apoio à sua decisão. 
Para reverter esse cenário, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement, criou o Projeto Parto Adequado. A iniciativa visa melhorar a qualidade da atenção ao parto e nascimento e atua em quatro frentes: engajamento das lideranças para que priorizem a qualidade e a segurança; reorganização do modelo assistencial de modo a favorecer a evolução fisiológica do trabalho de parto e a indicação de cesarianas com base em critérios clínicos; monitoramento de informações que permita o aprendizado contínuo; e mobilização de mulheres e famílias para que participem ativamente de todo o processo. 
Resultados da primeira fase provaram que a alarmante escalada de cesáreas pode ser revertida: a taxa de partos vaginais dos participantes passou de 21% para 37%. Também houve redução de admissões em UTI neonatal. 
Acreditamos na importância da divulgação de informações qualificadas e entendemos ser fundamental ouvir as mulheres e incorporá-las ao processo de decisão das ações do projeto. Nesta segunda fase, o Parto Adequado vem intensificando a participação das mulheres, e atualmente duas mães participam regularmente das reuniões de coordenação e de treinamento dos hospitais, o que tem contribuído para o aprimoramento das ações recomendadas aos hospitais. 
Com isso, estamos buscando formas de melhorar a experiência do cuidado, implementando estratégias a partir da perspectiva de quem tem importância central nesse processo: as mulheres. 
Neste 13 de maio, Dia das Mães, a ANS reafirma o seu compromisso com um sistema de saúde eficiente, que preste às futuras mães um cuidado qualificado em maternidades comprometidas com a atenção ao parto baseada em evidências científicas e na centralidade do cuidado na mulher, no bebê e na família. 

Fonte: (Rodrigo Rodrigues de Aguiar e Jacqueline Torres - Folha de S.Paulo)