Mulheres sofrem mais AVC que homens

02/05/2018 | 09:01

 

A pesquisa “A percepção do brasileiro sobre doenças cardiovasculares”, encomendada pela Boehringer Ingelheim em parceria com o Ibope Conecta, apontou alguns dados interessantes. Por exemplo, dentre os participantes que relataram ter fibrilação atrial e um acidente vascular cerebral (AVC), a maioria era de mulheres. Entre julho e agosto de 2017, o estudo ouviu, no total, 2.001 pessoas, com idades entre 18 e 65 anos, das classes A, B e C, residentes de todas as regiões do país, com o objetivo de mapear o conhecimento dos brasileiros a respeito das doenças cardiovasculares, explorando, em profundidade, a compreensão da população sobre a fibrilação atrial. 
Na pesquisa, os entrevistados diagnosticados com fibrilação atrial ou que conhecem alguém que possui a doença foram questionados se sofreram com a ocorrência de um AVC nos seis meses anteriores ao estudo. Além disso, 30% deles responderam afirmativamente3, o que vai ao encontro dos principais estudos científicos na área que apontam a relação do derrame, como a doença é popularmente conhecida - com essa arritmia, um dos seus principais fatores de risco. Nessa amostra, 34% dos casos de AVC aconteceram em mulheres, contra 24% em homens. 
Para evitar tal complicação, que figura como a principal causa de incapacidade física globalmente, a fibrilação atrial deve ser diagnosticada precocemente e tratada. A doença, que leva o coração a bater em um ritmo descompassado, favorece a formação de coágulos no órgão que, ao se desprenderem, entram na circulação sanguínea e podem chegar a qualquer parte do corpo, como o cérebro, levando ao acidente vascular cerebral isquêmico. Assim, parte do tratamento da fibrilação atrial consiste no uso de medicamentos anticoagulantes, que “afinam” o sangue e previnem a ocorrência do AVC. 
Entretanto, a pesquisa também mostrou que 47% dos entrevistados com fibrilação atrial não fazem uso de medicação anticoagulante³, ficando mais expostos ao risco de AVC. De acordo com especialistas, essa porcentagem pode ser justificada graças à preocupação com sangramentos, um dos principais efeitos colaterais desse tipo de medicação. Mas, hoje, caso esses pacientes sofram acidentes, sangramentos incontroláveis ou tenham que ser submetidos a procedimentos emergenciais, já existe na medicina um agente reversor, específico para a dabigatrana, que age revertendo, imediata e momentaneamente, efeito anticoagulante. 
Segundo Steffen Christow, cardiologista e chefe do Laboratório de Eletrofisiologia do Hospital Ingolstadt GmbH, na Alemanha, sem o diagnóstico, os pacientes com fibrilação atrial continuam em risco de sofrer um AVC, que pode ser debilitante e provocar não só mudanças na vida dos pacientes, como pode ser uma condição fatal. 

Fonte: (Monitor Mercantil)