Uma nova era no combate ao câncer

09/04/2018 | 08:33

 

Tratamentos personalizados são os recursos mais recentes da medicina 


A nova frente de batalha contra o câncer vem de uma ideia simples: usar drogas desenvolvidas para estimular as células do próprio sistema imunológico do paciente. Esse conceito é a base da imunoterapia, a mais promissora força contra a doença. Os avanços do tratamento, reconhecidos neste ano por publicações como a revista Nature e o relatório anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), têm mudado vidas em todo o mundo. Somada às chamadas terapias-alvo, que acontecem por meio de moléculas específicas para tratar alterações genéticas presentes no tumor, a imunoterapia proporciona um tratamento personalizado na área chamada hematologia oncológica, que inclui também linfomas e mielomas, segundo o Dr. Rodrigo Santucci, coordenador da Oncologia Clínica do Hospital Leforte. 
Médicos de todo o mundo estão entusiasmados com uma abordagem revolucionária no campo da imunoterapia, chamada CAR-T Cells (em português traduzida como Linfócitos T com Receptores Quiméricos de Antígenos). Ela consiste na extração de células de defesa dos pacientes (os linfócitos T) e manipulação de seu DNA para que desenvolvam um receptor capaz de identificar as células malignas. Reinserido no organismo, esse exército de defesa ataca apenas as células tumorais. O procedimento foi liberado para uso nos Estados Unidos em 2017. Neste ano, a equipe do Dr. Rodrigo Santucci, médico-chefe do setor de Transplantes de Medula Óssea do Hospital Leforte passará quatro semanas no MD Anderson Center,no Texas, considerado um dos maiores centros de tratamento oncológico do mundo, para trocar conhecimentos e aprender mais sobre a técnica. “Desenhamos um tratamento personalizado que, em breve, será uma terapia de precisão”, afirma a Dra. Fauzia, oncologista clínica do Leforte Oncologia Higienópolis. 

As chamadas terapias-alvo também são importante avanço no tratamento personalizado, com o objetivo de diminuir efeitos colaterais e aumentar as chances de cura. Os estudos deste ramo da oncologia mostraram que, geneticamente, os tumores se expressam de maneiras diferentes. Conhecendo esse comportamento, é possível indicar medicamentos quimioterápicos bastante precisos. “De acordo com a expressão de algumas proteínas, há um tipo específico de tratamento e, assim, em vez de termos um quimioterápico que atinge todas as células, incluindo as saudáveis, conseguimos focar a droga apenas nas que estão doentes”, explica o Dr. Bruno Santucci, oncologista clínico do Hospital Leforte. 
Esse tipo de tratamento é utilizado principalmente para câncer de pulmão, mama, intestino e melanoma, somado à quimioterapia convencional, radioterapia ou cirurgia. Quando empregada isoladamente, a terapia-alvo tem efeitos colaterais mais brandos em relação às drogas tradicionais. Os estudos têm progredido também para minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia convencional, com o apoio de recursos complementares, como as toucas que diminuem a queda de cabelo. Uma das mais eficazes, no Leforte Oncologia utilizada há cerca de um ano durante as sessões, promove a queda de temperatura do couro cabeludo, o que faz com que os vasos sanguíneos sejam contraídos e impede que o medicamento chegue em grandes quantidades aos folículos capilares. “Queremos que o tratamento do câncer seja encarado como uma página que será virada em um futuro próximo”, afirma o Dr. Hézio Jadir Fernandes Jr., oncologista clínico do Leforte Oncologia Higienópolis. 
Transplante de medula óssea 
A medula óssea se localiza na região no interior dos ossos onde é produzido o sangue. Esse tecido líquido-gelatinoso dá origem às hemácias (glóbulos vermelhos), aos leucócitos (glóbulos brancos) e às plaquetas que compõem nosso sangue. De modo geral, as hemácias têm o papel de transportar o oxigênio e o gás carbônico entre os pulmões e as células do organismo, enquanto os leucócitos são agentes de defesa do corpo. As plaquetas participam da coagulação sanguínea. O desequilíbrio nesse processo produz as chamadas “doenças do sangue”, campo de responsabilidade da hematologia. Entre esses distúrbios estão as anemias, alterações na coagulação ou níveis de plaquetas e também linfomas ou leucemias. Essas doenças podem ser tratadas com quimioterapia ou por meio do Transplante de Medula Óssea (TMO), que consiste na substituição de uma medula óssea doente por células em bom funcionamento. 
O Hospital Leforte foi a instituição privada que realizou o maior número de Transplante de Medula Óssea no Estado de São Paulo no período de janeiro a setembro de 2016, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes de Órgãos, com 57 transplantes. Em 2017, o número aumentou para 70. O fator que ainda dificulta a realização do procedimento é a falta de doador compatível — estima-se que as chances de encontrá-lo são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média. “Estamos buscando alternativas, como os tratamentos mais avançados de imunoterapia para aumentar as chances de cura para os pacientes”, explica o Dr. Rodrigo Santucci, coordenador da Oncologia Clínica do Hospital Leforte.

Fonte: (Agência Estado)