Brasil ultrapassa média global de mulheres em cargos de liderança

09/03/2018 | 14:19

 

Aumentou o número de mulheres em cargos de liderança no Brasil - é o que aponta a pesquisa International Business Report (IBR) - Women in Business, realizada pela Grant Thornton com mais de 4.995 empresas em 35 países. A pesquisa, realizada pelo 14º ano, será divulgada globalmente no dia 8 de março, dia Internacional da Mulher, e aponta que 29% das empresas brasileiras possuem mulheres em cargos de liderança - crescimento de 10 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. 
Com este avanço, o Brasil fica acima da média global, que foi de 24% (queda de um ponto percentual) em relação levantamento de 2017. Outro destaque foi a queda de empresas que não possuem mulheres em cargos de liderança - 39%, sendo que em 2017 este indicador era de 53%. 
O estudo aponta que a diversidade em todos os sentidos é boa para as empresas, pois incentiva diferentes modos de pensar e abre novas oportunidades de crescimento. Isso é particularmente relevante em um ambiente de negócios global em rápida mudança, uma vez que visões diferentes sobre o mesmo problema poderão ajudar as empresas a analisar e navegar melhor diante das incertezas. 
A América Latina apresentou a maior melhora no último ano, com a porcentagem de empresas com, pelo menos, uma mulher em administração sênior, passando de 52% em 2017 para 65% este ano, e a proporção de cargos seniores de mulheres passou de 20% para 30%. Por outro lado, a região é a que apresenta o menor número de empresas com, pelo menos, uma mulher na administração sênior (65%), enquanto a América do Norte tem a menor proporção de papéis seniores desempenhados por mulheres (21%). 
Os indicadores globais apontam que houve aumento no número de empresas que possuem mulheres em quadros de liderança - 75% em 2018, 9 pontos percentuais a mais em relação aos 66% do ano passado. Por outro lado, a proporção de mulheres caiu um ponto percentual passando para 24%. A pesquisa revela que a introdução de políticas por si só não é suficiente para impulsionar os indicadores, para criar mudanças é necessária uma cultura de inclusão mais ampla. 
As economias emergentes têm impulsionado a participação de mulheres em cargos de liderança, como a África (onde 89% das empresas têm pelo menos uma mulher na alta administração), a Europa Oriental (87%) e a América Latina (65% - incremento de 13 pontos percentuais). Houve ainda um aumento significativo nas regiões desenvolvidas, como a América do Norte (de 69% a 81%) e a União Europeia (de 64% a 73%). 
O relatório destaca que, embora seja extremamente positivo que as mulheres estejam em papéis seniores em mais negócios, é decepcionante que eles estejam sendo tão mal distribuídos. Isso sugere que as empresas estão se concentrando em um progresso significativo e nos faz crer que não obterão os benefícios da verdadeira diversidade de gênero. Precisamos ir além da política e concentrar-nos no papel vital que a liderança e a cultura podem desempenhar na criação de um verdadeiro progresso no equilíbrio de gênero. Há evidências convincentes do vínculo entre a diversidade de gênero na liderança e sucesso comercial. A atual volatilidade da economia global e a inovação tecnológica em curso tornam a questão mais importante do que nunca", conforme destacado no relatório. 
As regiões com a maior proporção de papéis seniores desempenhados pelas mulheres são Europa Oriental (36%), América Latina e África (30%). Já as regiões com menor proporção de papéis seniores desempenhados pelas mulheres são: América do Norte (21%), APAC (23%) e União Europeia (27%). 
O relatório da Grant Thornton investiga o papel das políticas empresariais e governamentais na mudança. Os dados mostram que as políticas de igualdade de gênero são abundantes e generalizadas, com 81% das empresas adotando a igualdade de remuneração para homens e mulheres desempenhando os mesmos papéis e 71% implementando políticas de não discriminação para recrutamento. As medidas que apoiam os países que trabalham também são populares entre as empresas, incluindo a licença paternidade paga (59%), horário flexível (57%) e trabalho a tempo parcial (54%). 
As empresas dizem que estão motivadas a introduzir políticas de igualdade de gênero principalmente para atrair e manter funcionários (65%) e para viver de acordo com os valores organizacionais (65%). Recrutamento e retenção são prioridades estratégicas para as empresas e a igualdade de gênero na liderança tornou-se um elemento central da marca da empresa. No entanto, as empresas dizem que as barreiras à introdução de políticas incluem a complexidade de traduzir boas intenções em prática (22%) e estereótipos sobre papéis de gênero (21%). 
Empreendedorismo 
Segundo a pesquisa Donos de Negócio no Brasil, análise de gênero (que utiliza dados da Pnad/IBGE de 2016) o número de brasileiras empresárias cresceu 34% entre 2001 e 2014, enquanto o aumento de homens nesta situação, no mesmo período, foi de 14%. Elas empreendem mais em casa (35%), são mais qualificadas que os homens empresários e dedicam menos tempo ao negócio (34 horas semanais, enquanto os homens trabalham 42 horas por semana). 
- Esse movimento de empoderamento feminino é crescente há alguns anos e em várias esferas, seja na política, na iniciativa privada e, claro, à frente dos negócios. Elas empreendem para gerar renda e também atender às próprias demandas - analisa o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. 

Fonte: (Monitor Mercantil)