Marchas e greves marcam Dia Internacional da Mulher pelo mundo

08/03/2018 | 08:57

Unesco convoca para maratona de edição de verbetes da Wikipedia sobre personalidades femininas 


No ano em que o #MeToo ganhou as redes sociais numa onda de denúncias de assédio sexual, o Dia Internacional da Mulher vai ser celebrado nesta quinta-feira (8) com greves, protestos e atos ao redor do mundo. 
No Brasil, haverá marchas em São Paulo (av. Paulista), Rio (Candelária), BH (praça Sete), Salvador (praça da Piedade) e Recife (rua do Hospício), entre outras 
Em Paris, uma "maratona de edição" está convocando voluntários a criar, editar e traduzir páginas da Wikipedia sobre mulheres que influenciaram ciência, educação, cultura e comunicação. 
Segundo a Unesco, a agência cultural da ONU que organiza o evento, apenas 17% das biografias na Wikipedia são de mulheres. 
Em Londres, que celebra o centenário do direito feminino de votar, um "flashmob" vai descer até a Catedral de St. Paul, para uma homenagem às sufragistas. 
Na Espanha, as mulheres farão uma greve de um dia contra a discriminação salarial, a violência doméstica e a cultura do machismo no país. A expectativa é que a paralisação tenha alcance nacional. 
A Comissão 8M, que organiza a greve espanhola, quer que o governo adote medidas mais rígidas contra a violência contra a mulher no país, onde 99 foram mortas por seus parceiros em 2017. 
Segundo pesquisa da Comissão Europeia, mulheres espanholas ganham cerca de 15% a menos por hora que seus colegas do sexo masculino na mesma função. 
Os organizadores também querem que as mulheres se rebelem contra tarefas que não são valorizadas, como levar as crianças para a escola ou o ato de cozinhar. 
"Acreditamos que o mundo não funciona sem nós, sem nosso trabalho doméstico e nosso cuidado, sem nossas compras e sem nosso labor", afirmou a Comissão 8M em seu manifesto. 
ORGASMOS 
Na Argentina, organizações feministas programaram uma semana de eventos, que incluem um ciclo com diretoras argentinas e mostras de arte. 
Nesta quinta, o grupo #NiUnaMenos, que combate a violência contra a mulher, fará um "orgasmatón" ao meio-dia. 
"Todas e cada uma, sozinhas ou acompanhadas, onde estivermos e com o que tivermos à mão, como mais gostarmos, como pudermos, e se não pudermos, nos divirtamos na intenção. Façamos do orgasmo uma arma de rebelião, uma fonte de energia para sensualizar a luta. Nossos corpos vibrando juntos, nos unindo em uma maré orgásmica capaz de transformar a energia da Terra", diz texto compartilhado pelo grupo. 
As argentinas farão ainda um "barulhaço" e uma marcha até o Congresso —que discute neste momento a legalização do aborto. 
A prefeita de La Matanza, Verônica Magario, decretou feriado administrativo para os funcionários públicos desse distrito da Província de Buenos Aires, segundo o jornal Clarín. 
"Trata-se de acompanhar uma demanda justa por nossos direitos trabalhistas, sociais, de integração e, fundamentalmente, [de um gesto em homenagem às] vítimas da violência de gênero e contra os feminicídios", disse ela. 
Outros distritos da província fizeram o mesmo. 
Fabricantes de brinquedos também entraram na jogada. Uma Barbie à semelhança da campeã olímpica de boxe Nicola Adams, com "luvas capazes de destruir qualquer teto de vidro", foi divulgada para marcar o Dia da Mulher. 

Fonte: (AFP/Reuters/Folha de S.Paulo)