DF: Risco de infecção por KPC é maior entre idosos

08/03/2018 | 08:54

 

Uso de antibióticos ao longo da vida aumenta resistência da bactéria. Visitas a pacientes são permitidas. 
O risco de contaminação pela bactéria multirresistente – ou "superbactéria" – KPC é maior entre idosos, afirmou ao G1 a gerente de Gestão de Riscos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Fabiana Mendes. "A população mais velha passa por mais tratamento com antibióticos, o que aumenta a resistência dos micro-organismos", explicou. 
Mesmo sem o fator de idade, pessoas que fizeram uso intensivo de antibióticos também têm maior risco. A principal característica das "superbactérias" é, justamente, a resistência à maioria dos medicamentos tradicionais. 
"Pacientes com esse perfil precisam de acompanhamento, por terem mais chance de desenvolver a resistência da bactéria", diz Fabiana. Isso não significa, segundo a gestora, que haja um risco iminente à população. 
Visitas são permitidas 
Apesar dos cuidados especiais, pacientes colonizados ou infectados pela KPC podem continuar recebendo visitas. Segundo a gestora de riscos da secretaria, não há necessidade de isolamento total. 
"Quando falamos em isolamento, falamos em reforço das medidas de higienização dos leitos e dos visitantes", explicou Fabiana. Aumentar a frequência de limpeza do quarto – incluindo camas e trajes – e usar álcool em gel com frequência nas mãos dos visitantes e dos médicos estão entre as medidas. 
Os pacientes isolados com colonização pela KPC no Hospital Regional do Guará não estavam recebendo visitas de familiares até esta quarta-feira (7). 
Segundo a Secretaria de Saúde, esse isolamento era motivado pela greve dos vigilantes, e não pelo protocolo de saúde. A paralisação completou sete dias nesta quarta, e não tem previsão de encerramento. 
O que sabemos 
• Há seis pacientes contaminados pela KPC no Hospital Regional do Guará (HRGu). 
• Desses, cinco têm um quadro de colonização. Isso significa que a bactéria foi encontrada na pele, mas não causa nenhum tipo de sintoma. 
• No sexto caso, há suspeita de infecção. Essa hipótese não tinha sido confirmada até a tarde desta quarta. 
• A infecção ocorre quando a KPC ultrapassa a pele e contamina os órgãos internos. 
Entenda o caso 
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou, nesta quarta, a contaminação de seis pessoas pela bactéria KPC. Em 24 horas, a pasta revisou o dado duas vezes – de "6 colonizados e 1 infectado" para "5 colonizados e nenhum infectado" e, posteriormente, para "5 colonizados e 1 supostamente infectado". 
Todos estão internados no Hospital do Guará, sob monitoramento do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar. O governo do Distrito Federal ainda não detalhou as circunstâncias da contaminação, mas a Secretaria de Saúde descartou “qualquer risco de surto”. 
A KPC faz parte de um grupo de bactérias "multirresistentes" – conhecidas popularmente como "superbactérias". Isso significa que elas são imunes à maior parte dos antibióticos comuns, e que precisam ser enfrentadas com remédios muito mais fortes. 
Em 2015, a KPC se alastrou por sete unidades de saúde do DF, e 7 dos 25 pacientes com quadros de contaminação ou colonização morreram. À época, o governo do DF lançou um plano de enfrentamento às superbactérias, que previa maior rigor na higiene das unidades e no isolamento de pacientes infectados. 
Em 2017, um bebê morreu e outros foram contaminados no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) por outra superbactéria, a Serratia. O mesmo micro-organismo já tinha sido identificado na unidade em 2013. 

Fonte: (Lucas Vidigal - G1)