Comidas ultraprocessadas estão ligadas ao surgimento de câncer

16/02/2018 | 08:48

Os cientistas afirmam que os resultados servem como um alerta inicial e um conselho para que as pessoas apostem em dietas mais saudáveis 


Ainda em 2015, a Organização Mundial de Saúde já tinha afirmado que carne processada pode ser um gatilho para o câncer. Além disso, sabe-se que o excesso de peso é segunda maior causa possível de ser evitada para impedir a doença – a primeira é fumar. 
Agora, temos uma perspectiva dos alimentos ultraprocessados. Segundo os pesquisadores franceses, se aumentarmos em 10% a quantidade de produtos ultraprocessados em nossa dieta, a chance de detectar um câncer cresce em 12%. 
Ao longo dos cinco anos de estudo, cerca de 18% das pessoas estudadas apresentaram uma dieta ultraprocessadas. Além disso, em média cerca de 79 diagnósticos de câncer foram identificados a cada 10 mil pessoas a cada ano. Caso o consumo de alimentos ultraprocessados aumentasse em 10%, teríamos um acréscimo de outros nove diagnósticos de câncer por ano. 
“Isso nos sugere que um crescimento no consumo de produtos ultraprocessados pode gerar em uma sobrecarga de casos de câncer nas próximas décadas”, avaliaram os cientistas. 
Apesar de todos os dados levantados, os pesquisadores acreditam que as descobertas precisam estudadas em larga escala, até porque, não é possível dizer que os ultraprocessados e congelados são a causa do câncer. Segundo os cientistas, os indivíduos que se alimentam desse tipo de produto costumam apresentar hábitos não saudáveis ligados à doença, como, por exemplo, fumar, se exercitar pouco e consumir mais calorias. No caso das mulheres, muitas delas faziam uso de anticoncepcional. 
“Já sabemos que comer muitos desses alimentos ultraprocessados acarreta em um aumento de peso, e estar com sobrepeso ou ser obeso podem ampliar as chances do câncer, então é difícil distinguir os efeitos da dieta e do peso”, concluiu Linda Bauld, pesquisadora do Cancer Research, no Reino Unido. 
De acordo com ela, não há problema em consumir alguns alimentos ultraprocessados, desde que a dieta do indivíduo seja rica em frutas, vegetais e fibras. Contudo, alguns pesquisadores contestaram a proposta do estudo, justamente pelo termo “ultraprocessados” ser muito vago. 
De qualquer forma, os próprios cientistas autores do estudo afirmam que os resultados servem como um alerta inicial e um conselho para que as pessoas apostem em dietas saudáveis.

Fonte: (Galileu)