MS: Médico recebia carros de luxo e viagens como propina

29/01/2018 | 09:24

 

Veículos são avaliados entre R$ 200 a R$ 300 mil e investigação ainda verifica possíveis pagamentos em espécie por parte do empresário para o médico. 
Suspeito de agir em conluio com empresário e fraudar licitações de hospitais públicos de Campo Grande, o cardiologista Mercule Cavalcante recebia como propina viagens e carros de luxo, além de possíveis pagamentos em espécie que estão sendo investigados. 
A direção do Hospital Universitário informou que a instituição está colaborando com as investigações e que disponibilizou todos os documentos solicitados pela PF e CGU. 
De acordo com a Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU), os veículos são avaliados entre R$ 200 a R$ 300 mil. 
"Há indicativos de que eles vendiam os carros de luxo sem que a formal propriedade passasse pelo investigado. Foram 4 viagens, sendo 3 delas suportadas pelo próprio empresário", afirmou ao G1 o delegado Cléo Mazzotti, responsável pelas investigações, ressaltando que os agentes estiveram em duas revendedoras de veículos para fazer buscas, na manhã desta quinta-feira (25). 
Umas das viagens teve Miami como destino e a investigação apura se o médico foi sozinho ou levou toda a família, ainda de acordo com a polícia. Os outros destinos seriam para congressos voltados a área médica. No caso dos carros, entre eles tem uma BMW, a investigação tenta descobrir como eles foram repassados ao suspeito. 
Licitação 
A PF aponta que o cardiologista e o empresário Pablo Figueiredo manipulavam cláusulas de licitações para benefício próprio. O desvio é superior a R$ 3 milhões. "O médico, o empresário e servidores públicos mal intencionados manipularam as licitações com cláusulas restritivas e injustificadas. Nós fizemos uma análise e verificamos a falta de controle, além de mercadoria deficitária, causando prejuízo a União", afirmou o chefe da Controladoria Geral da União (CGU), José Paulo Barbiere. 
Como exemplo, o delegado citou uma licitação que pedia a compra de materiais em aço inoxidável. "A empresa vencedora, por exemplo, forneceu em cromo cobalto, o mesmo material que os demais concorrentes forneceriam e inclusive, com preço menor. Nós também fizemos uma análise de mercado. O fornecimento de um kit com 5 itens foi adquirido por R$ 2 mil, sendo que a média de preço é de R$ 800 a 900", ressaltou Mazzotti. 
Fraude 
De acordo com a PF, os investigados colocavam sobrepreço em materiais a serem licitados, desviavam tais produtos comprados com dinheiro público para serem utilizados em clínicas particulares, recebiam alguns com prazo de validade e qualidade inferiores ao previsto nos contratos e ainda tentavam dificultar as fiscalizações da CGU. 
O grupo envolve servidores públicos que recebiam viagens e veículos de alto valor como propina das empresas envolvidas na fraude. Eles atuavam principalmente no setor de hemodinâmica (método diagnóstico e terapêutico que usa técnicas invasivas para obtenção de dados acerca de cardiopatias). 
A investigação recebeu o nome de “Operação Again”, em alusão ao fato de se tratar de metodologia criminosa semelhante àquela que restou desarticulada pela “Operação Sangue Frio”, deflagrada em 19/03/2013, contudo, com novos integrantes do esquema.

Fonte: (G1)