CE: 18 mil pacientes na fila por uma cirurgia não urgente

07/12/2017 | 08:19

 

Maior parte dos pacientes intervenções no aparelho da visão com 7.912 pacientes. 
Até junho de 2017, 18.434 mil pessoas esperavam por uma cirurgia eletiva (não urgente) no Sistema Único de Saúde, no Ceará. O levantamento é do Conselho Federal de Medicina feito em 16 estados e 10 capitais. Fortaleza tem a terceira maior fila entre as 10 capitais que enviaram dados ao CFM. São 1.841 pacientes. Há pacientes quem esperam cirurgia desde 2008. 
Os dados se referem a hospitais públicos. Não foram divulgadas informações sobre o sistema privado. O médico Ricardo Cohen, membro da Câmara Técnica sobre Cirurgia Bariátrica do CFM, coordenou a pesquisa.
As maiores filas por tipo procedimento são: 
• Intervenções no aparelho da visão com 7.912 pacientes 
• Aparelho digestivo (3.978 pacientes) 
• Aparelho geniturinário (2.779) 
• Osteomuscular (1.658) 
• Face, da cabeça e do pescoço (1.101). 
Entre os municípios cearenses, com maior filas de espera depois de Fortaleza, estão Sobral com (1.011); São Gonçalo do Amarante (520); Aracati (517), Paracuru (432) e Horizonte (427). 
Dados nacionais 
No país, até junho de 2017, 904 mil pessoas esperavam por uma cirurgia eletiva. Dentre as 904 mil, o CFM informou ainda que 750 procedimentos constam na fila como pendentes há mais de dez anos. Ainda, segundo a entidade, de cada mil pacientes que aguardam a cirurgia, cinco morrem por ano enquanto esperam -- a avaliação não demonstra, no entanto, se a morte ocorreu em decorrência da ausência da cirurgia. 
Segundo o levantamento, a maior fila de espera se concentra em apenas cinco procedimentos: cirurgias de catarata (113.185), hérnia (95.752), vesícula (90.275), varizes (77.854) e amígdalas ou adenoide (37.776). Atualmente, as cirurgias não urgentes mais comuns são da área de ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia e cirurgia vascular. 
Foram analisados os estados de Alagoas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pernambuco, São Paulo e Tocantins. 
O estado da Bahia só enviou dados de pacientes que ingressaram na fila em 2017; já o estado do Rio Grande do Norte, enviou somente informações da fila ortopédica. 
Em entrevista à Globo News, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, creditou a situação da fila de espera aos municípios e estados. A organização do sistema também foi apontada como justificativa. 
Barros reconheceu, contudo, que há sim uma grande fila de espera para cirurgia, que também pode ocorrer porque o sistema é desorganizado. "Muitas vezes, uma mesma pessoa está em mais de uma fila", disse. 
Estados e capitais que não enviaram informações 
Os dados do estudo do Conselho Federal de Medicina foram obtidos via Lei de Acesso à Informação. Apesar disso, diz o CFM, sete estados não enviaram dados após pedido da entidade: Acre, Amapá, Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe. 
Outros alegaram não ter as informações: foi o caso dos estados do Amazonas, do Distrito Federal, Espírito Santo e Mato Grosso; e dois negaram o pedido (Santa Catarina e Roraima). 
O conselho diz ainda que oito capitais não atenderam aos pedidos (Belém, Cuiabá, Florianópolis, Goiânia, Manaus, São Luís, Rio de Janeiro); seis alegaram não possuir as informações (Macapá, Maceió, Porto Velho, Rio Branco, Salvador e Vitória) e duas negaram o pedido (Curitiba e Natal). 
Central de regulação para SUS 
Em nota a Secretaria da Saúde do Estado informou que realizou a integração das duas centrais para atendimento com o objetivo de reorganizar e otimizar as demandas, inicialmente, da macrorregião de Fortaleza. Além das centrais do Estado e Município, o Ceará dispõe de núcleos reguladores nas regiões Norte e Cariri. 
De acordo com a Sesa, a Central de Regulação envolve todas as referências intermunicipais de consultas especializadas e exames, internações hospitalares eletivas e ainda de urgência e emergência. Tudo isso através do conhecimento da capacidade de oferta de consultas e exames especializados públicos, contratados e conveniados que integram a rede SUS. 
A Sesa reforçou que o Instituto Doutor José Frota (IJF), o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), por exemplo, são os principais hospitais que realizam cirurgia traumato-ortopédica de alta complexidade pelo SUS em Fortaleza. Além disso, no interior do Ceará, o Hospital Regional do Cariri (HRC), no Juazeiro do Norte, também faz esse tipo de procedimento mais complexo nessa especialidade. Cirurgias complexas exigem estruturas específicas e profissionais muito especializados, o que restringe a oferta. 
Dos hospitais da rede pública do Governo do Ceará, realizam cirurgias o Hospital Infantil Albert Sabin, Hospital Geral de Fortaleza, Hospital de Messejana, Hospital Geral César Cals, Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar, Hospital Geral Waldemar Alcântara, Hospital Regional do Cariri e Hospital Regional Norte. Em 2016, foram realizadas 55.903 cirurgias eletivas e de urgência e emergência, um crescimento de 7,4% em relação a 2015, quando foram feitas 52.030 cirurgias. Este ano, até o mês de outubro, 53.435 cirurgias foram realizadas na rede pública do Governo do Ceará.

Fonte: Verdes Mares