HIV: Homens são menos propensos a buscar tratamento

05/12/2017 | 08:16

 

No Dia Mundial contra a Aids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) divulgou um novo relatório que mostra que os homens têm menos probabilidade de fazer o teste para o HIV, são menos propensos a buscar tratamento antirretroviral e têm mais chances de morrer por complicações relacionadas à doença do que as mulheres. 
"O conceito de masculinidade nociva e os estereótipos masculinos criam condições que fazem com que relações sexuais mais seguras, testagem para o HIV, acesso e adesão ao tratamento - ou mesmo conversas sobre sexualidade - sejam desafiadoras para os homens", disse Michel Sidibé, diretor-executivo do programa da ONU. "Mas os homens precisam assumir essa responsabilidade. Essa bravata está custando vidas". 
No Dia Mundial contra a Aids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) divulgou um novo relatório que mostra que os homens têm menos probabilidade de fazer o teste para o HIV, são menos propensos a buscar tratamento antirretroviral e têm mais chances de morrer por complicações relacionadas à doença do que as mulheres. 
O Relatório Ponto Cego (Blind spot, em inglês) mostra que, globalmente, menos de metade dos homens que vivem com HIV está em tratamento, em comparação com 60% das mulheres. Os estudos mostram que os homens são mais propensos a iniciar tardiamente, a interromper e a se desvincular dos serviços de tratamento. 
"Enfrentar as desigualdades que colocam as mulheres e meninas em risco de infecção pelo vírus está em primeiro plano na resposta à aids, mas há um ponto cego em relação aos homens - eles não estão usando os serviços de prevenção e testagem para o HIV e não estão buscando acesso ao tratamento na mesma escala que as mulheres", disse Michel Sidibé. 
Na África subsaariana, homens e meninos que vivem com HIV são 20% menos propensos do que mulheres e meninas vivendo com HIV a conhecerem seu estado sorológico positivo para o vírus e têm 27% menos chances de buscar acesso ao tratamento. Em 2015, em KwaZulu-Natal, a província com maior prevalência de HIV na África do Sul, apenas um em cada quatro homens vivendo com HIV, com idade entre 20 e 24 anos, conhecia seu diagnóstico. Na África Ocidental e Central, uma região que está buscando responder eficazmente ao HIV, apenas 25% dos homens que vivem com HIV estão tendo acesso ao tratamento. Quando as pessoas não estão em tratamento, elas são mais propensas a transmitir o HIV. 
O relatório também mostra que a prevalência do vírus é consistentemente maior entre os homens que fazem parte das populações-chave. Fora da África Oriental e Austral, 60% de todas as novas infecções por HIV entre adultos acontecem entre os homens. O relatório destaca as dificuldades particulares que os homens em populações-chave enfrentam no acesso aos serviços de tratamento, incluindo discriminação, assédio e recusa de serviços de saúde. 
Os homens que fazem sexo com homens são 24 vezes mais propensos à infecção por HIV do que os homens na população em geral e, em mais de 24 de países, a prevalência do HIV entre homens que fazem sexo com homens é de 15% ou mais. 
O documento mostra que cerca de 80% das 11,8 milhões de pessoas que usam drogas injetáveis são homens e que a prevalência do HIV entre as pessoas que usam drogas injetáveis passa de 25% em vários países. O uso do preservativo é quase universalmente baixo entre os homens dessa população-chave e o percentual deles que usaram equipamento esterilizado durante sua última injeção varia de país para país. Na Ucrânia, por exemplo, a porcentagem de homens que utilizaram agulha esterilizada no último uso de droga injetável foi bem acima de 90%, enquanto nos EUA esse número foi de apenas 35%. Nas prisões, onde 90% dos detentos são homens, a prevalência do HIV é estimada entre 3% e 8%, mas os preservativos e os serviços de redução de danos raramente estão disponíveis. 
Embora a testagem para o HIV esteja alcançando as mulheres, particularmente as mulheres que utilizam serviços pré-natais, os mesmos pontos de entrada não foram encontrados para os homens, limitando a aceitação do teste do HIV entre eles. 
Segundo o estudo, os homens vão aos estabelecimentos de saúde com menos frequência do que as mulheres, fazem menos exames e são diagnosticados mais tardiamente que as mulheres em condições que já representam risco de vida. Em Uganda, alguns homens relataram que preferem não conhecer seu estado sorológico para o HIV e não receber o tratamento capaz de salvar vidas porque associaram ser HIV-positivo com o estigma da falta de masculinidade. Um estudo na África do Sul mostrou que 70% dos homens que morreram por complicações relacionadas à Aids nunca procuraram cuidados para o HIV. 
O relatório incita os programas de HIV a estimularem os homens para que tenham acesso aos serviços de saúde e os tornem disponíveis com mais facilidade para eles. Isso inclui a disponibilização de serviços de saúde personalizados, incluindo o prolongamento dos horários de atendimento, o uso de farmácias para oferecer serviços de saúde aos homens, alcançá-los em seus locais de trabalho e lazer, incluindo bares e clubes esportivos, e usando novas tecnologias de comunicação, como aplicativos de celular. 

Fonte: Monitor Mercantil