Vacina antidengue traz riscos para quem nunca contraiu o vírus

30/11/2017 | 09:21

 

Imunizante foi aprovado no Brasil em 2015; é indicado para a proteção contra os 4 tipos do vírus e aplicado em 3 doses 

A única vacina contra dengue disponível no País, produzida pela Sanofi Pasteur, não é mais recomendada para as pessoas que nunca foram infectadas pela doença. O alerta foi emitido ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recebeu nesta semana dados preliminares de estudo conduzido pela própria Sanofi. A pesquisa indicou aumento do risco de desenvolvimento da forma grave da doença entre aqueles que nunca contraíram o vírus. 
No comunicado, a Anvisa esclareceu que a vacina em si não desencadeia a dengue nem a forma grave da doença. O risco de casos graves estaria restrito, segundo o trabalho, a quem nunca teve contato com o vírus. 
A Anvisa destacou que os dados precisam de confirmação. Mesmo assim, por precaução, a bula da vacina deverá ser atualizada. Já o próprio laboratório admite que a vacina deixará de ser recomendada a quem nunca teve dengue. “Não é uma contraindicação porque os riscos são baixos, mas deixamos de recomendá-la para quem nunca teve contato com o vírus porque os estudos mostraram que não compensa para esse público”, disse Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur. 
Ainda é investigado o motivo da reação adversa. Para quem já tomou a vacina, a recomendação é de buscar logo o médico, caso haja sintomas da doença. 
Aprovada no País em 2015, a vacina é indicada para a proteção contra os 4 tipos de vírus da dengue e aplicada em três doses. Na época do lançamento, a informação era a de que proporcionaria eficácia global de 65%. Isso significa que, mesmo após imunização, havia risco de 35% de uma pessoa contrair a doença se exposta ao vírus. O desempenho da vacina, porém, variava conforme o subtipo do vírus. 
A vacina está disponível nas clínicas particulares. Ela não é adotada no Programa Nacional de Imunização. O governo do Paraná, porém, comprou por iniciativa própria cerca de 700 mil doses para áreas de maior risco. Dos 399 municípios do Estado, 30 receberam a vacina. Mesmo após o alerta da Anvisa, o Estado vai manter a estratégia – 300 mil foram imunizados entre 2016 e 2017. 
Os estudos conduzidos pela Sanofi mostram que o aumento de risco se traduz em 5 casos de hospitalização em cada mil pessoas que nunca haviam tido contato com o vírus e foram vacinadas e 2 casos de dengue severa em cada mil vacinados sem contato prévio com o vírus. 
A Anvisa diz que, para quem já teve contato com o vírus, “o benefício da vacina permanece favorável”. Antes da obtenção do registro, o imunizante havia sido testado em cerca de 40 mil pessoas. Naquela etapa, não foi achado risco na população em geral. 

Fonte: (Lígia Formenti - Agência Estado)