Medicação errada gera perdas bilionárias e óbitos

22/11/2017 | 09:13

Encontro de Agência da ONU realizado no Paraná discutiu meios de ampliar proteção de pacientes 

Perdas bilionárias- além de óbitos- são causadas por erros no uso de medicamentos em todo o mundo. A estimativa é da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), para quem os erros resultam em prejuízos na casa de US$ 42 bilhões (perto de R$ 136 bilhões) ao ano. Além disso, uma morte diária tem relação direta com uso errado de medicamento. Estes erros podem eventualmente afetar os sinistros das operadoras de saúde e agravar as perdas das seguradoras de vida globais. 
Segundo a estimativa da agência da ONU, somente nos Estados Unidos, cerca de 1,3 milhão de pessoas são prejudicadas anualmente por esses equívocos. Os dados foram apresentados durante I Congresso Pan-Americano e o VI Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos, realizado no Paraná, na semana passada, quando se discutiu o desafio global  para a segurança do paciente, ação para reduzir à metade os danos graves e evitáveis em decorrência de erros de medicação nos próximos cinco anos. 
Consultor de desenvolvimento e inovação tecnológica em saúde da representação da OPAS/OMS no Brasil, Felipe Carvalho afirmou que os erros de medicação, além de danos ao paciente, prejudicam os orçamentos de saúde. “Os custos relacionados a erros de medicação representam 42 bilhões de dólares por ano. E isso é a ponta o iceberg, ou seja, o que conhecemos. Imagine o que não conhecemos o que está subnotificado. Essa estimativa da OMS foi feita com base em informações de países que têm esses dados. E esses países são também os que monitoram melhor a segurança do paciente. Então, sabemos que o problema no mundo é ainda maior”, afirmou. 
Profissionais de saúde e os próprios pacientes cometem erros que resultam em danos graves, como prescrever, dispensar, preparar, administrar ou consumir a medicação errada ou de forma inadequada, o que pode resultar em danos graves, deficiência e até mesmo morte. 
O chamado Desafio Global para Segurança do Paciente, lançado em março deste ano pela OMS, convoca os países a tomarem medidas prioritárias para abordar os seguintes fatores-chave: medicamentos com alto risco de dano se usados indevidamente; pacientes que tomam múltiplos medicamentos para diferentes doenças e condições; e pacientes que passam por transições de cuidados, a fim de reduzir os erros de medicação e danos. 
Esse é o terceiro desafio global da OMS para a segurança dos pacientes. O primeiro foi sobre higienização adequada das mãos (“Clean Care is Safe Care”), em 2005, e o segundo tratava de procedimentos necessários para cirurgias seguras (“Safe Surgery Saves Lives”), em 2008.  

Fonte: (CNseg)