Comissão aprova regras mais duras para aborto no país

09/11/2017 | 09:32

 

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8), o endurecimento das regras de aborto no Brasil. O colegiado votou pela inclusão na Constituição que a vida começa na concepção, restringindo, portanto, o aborto mesmo nos casos hoje considerados legais. O texto foi aprovado por 18 votos a um. 
Em manobra capitaneada pela bancada evangélica, a mudança constitucional foi incluída em uma proposta de emenda à Constituição que amplia a licença maternidade para mães de prematuros pelo número de dias em que o bebê ficar internado, até o limite total de 240 dias. 
Ainda devem ser votados os destaques ao texto, mas é improvável que o artigo relativo ao aborto seja derrubado. Após essa etapa, ele segue para a análise do plenário e não tem prazo para ser votado. Lá, precisa de ao menos 308 votos, em dois turnos, para ser aprovado. Se for, segue então para dois turnos no Senado, e só então iria à sanção presidencial. 
Atualmente, o aborto é legal no Brasil em casos de risco de morte da gestante ou em gestação resultante de estupro. O STF já decidiu além disso que o aborto de anencéfalos não é crime. 
A votação foi marcada por embates entre a bancada oposicionista e os parlamentares da chamada "bancada da Bíblia". 
Brandindo uma réplica de um feto de 12 semanas, o deputado Pastor Eurico (PHS-PE) discursava contra o aborto: "Onde está o amor pelas mulheres? Onde está o amor pelas crianças?" e completou: "Isso não tem a ver com religião, é uma posição! Nós somos contra esse assassinato em massa de inocentes." 
Já a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), contrária ao projeto, afirmou que caso o número de parlamentares mulheres fosse maior, o resultado da votação seria outro. "Incrível como se usam questões de interesse das mulheres sem respeitá-las. Não decidam por nós, não falem por nós, não legislem por nós", disse. 
A comissão especial foi instalada como retaliação a decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, que determinou que não é crime a interrupção de gestação até os três meses de gravidez. 
A comissão é presidida por Evandro Gussi (PV-SP), membro da Frente Parlamentar Evangélica. Após horas de discussão e de a sessão ter sido interrompida pela abertura da ordem do dia no plenário, o relatório do deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), também da frente evangélica, foi votado por volta das 17h40. 
O texto foi votado durante breve intervalo em que a sessão no plenário foi derrubada por falta de quorum no plenário, e sem a presença de deputados da oposição. Apenas Erika Kokay (PT-DF) votou contra a aprovação. 

Fonte: (ANGELA BOLDRINI - Folhapress)