Vacina evitaria mais de cem mil abortos espontâneos

08/11/2017 | 09:01

Infecção por bactéria estreptococo B está em presente em grávidas do mundo todo e pode ser perigosa para recém-nascidos, aponta estudo 


Mais de 100 mil abortos espontâneos e mortes de recém-nascidos poderiam ser evitados em todo o mundo com uma vacina contra uma infecção comum em mulheres grávidas, sugerem estudos publicados nesta segunda-feira. 
O risco de doenças apresentado pela bactéria estreptococo B foi subestimado durante muito tempo, segundo os autores, cujo trabalho foi publicado na revista médica Clinical Infectious Diseases, e também foram apresentados na conferência anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene realizada em Baltimore, Maryland. 
Mais de 21 milhões de mulheres grávidas no mundo todo são portadoras desta bactéria considerada inofensiva, calculam pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM). 
Hoje se sabe que este estreptococo é responsável por casos de septicemia e meningite potencialmente mortais em recém-nascidos, e que este agente patogênico é também uma causa importante de aborto espontâneo. 
No entanto, ainda não há vacinas disponíveis, lamentam os pesquisadores, cujos estudos foram financiados pela Fundação Bill & Melinda Gates.  A análise mostra pela primeira vez que uma vacina com 80% de eficácia administrada em 90% das mulheres no mundo todo poderia evitar 231.000 casos de infecção em mulheres grávidas e recém-nascidos. 
Naturalmente presente e inofensivo no trato digestivo, o estreptococo B se torna patogênico quando migra para outros órgãos e causa apenas infecções leves, exceto em grávidas e seus fetos. 
Antes destes estudos, os dados reunidos sobre infecções em recém-nascidos com este estreptococo se limitavam aos países ricos.  Estes últimos estudos determinaram que a infecção está presente em grávidas no mundo todo. 
Em média, 18% das mulheres que esperam um filho estão colonizadas por esta bactéria, com taxas que vão de 11% no leste da Ásia a 35% no Caribe.  Os cinco países com os maiores números de mulheres grávidas infectadas são Índia (2,4 milhões), China (1,9 milhões), Nigéria (1,06 milhão), Estados Unidos (942.800) e Indonésia (799.100). 
A África, que conta com apenas 13% da população mundial, representa 65% de todos os abortos espontâneos e mortes de recém-nascidos como resultado desta infecção por estreptococos, revela o estudo. 
Atualmente, a única prevenção é administrar antibióticos às mulheres no momento do parto para reduzir o risco para o bebê, o que evita 29.000 casos por ano, principalmente nos países ricos.  Esta abordagem pode ser difícil em países em desenvolvimento, onde muitos partos são feitos em casa.

Fonte: (O Dia Online)