BC deixa em aberto decisão sobre juros no próximo ano

03/11/2017 | 08:31

 

O Banco Central (BC) deixou em aberto quais as decisões que irá tomar em relação à taxa básica de juros (Selic) em 2018, sinalizou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem. 
Na avaliação de especialistas, a autoridade monetária optou por avaliar com mais cautela a evolução dos indicadores de atividade econômica e a trajetória fiscal do setor público para tomar uma posição. Além disso, os rumos da política econômica dos Estados Unidos e as eleições no Brasil em 2018 também estão no radar. 
Na semana passada, o Copom decidiu acelerar o ritmo de queda dos juros ao cortar a Selic em 0,75 ponto percentual, levando a taxa para 7,5% ao ano. A ata de ontem reforçou que o Comitê deverá ser mais moderado em sua próxima reunião, nos dias 5 e 6 dezembro, o que indica uma diminuição de mais 0,50 ponto nos juros, fazendo com que ele feche o ano de 2017 no patamar de 7%. 
Já para o próximo ano, o BC "deixou a porta aberta para qualquer decisão", avalia o gestor do Grupo GGR Rafael Sabadell. "Isso quer dizer que pode ocorrer tanto uma redução da Selic para um patamar abaixo de 7% ou uma manutenção dos juros", comenta Sabadell, lembrando que os comunicados anteriores do BC sinalizavam mais um corte de 0,25 ponto nos juros em fevereiro de 2018, além de mencionar um "encerramento gradual do ciclo" de redução da taxa. 
Já na ata de ontem, o Copom afirmou que os seus membros analisaram a "extensão do ciclo e a conveniência de uma sinalização sobre os passos seguintes à próxima reunião". O comitê acrescentou que "houve consenso em manter liberdade de ação e adiar qualquer sinalização sobre as decisões futuras de política monetária de forma a incorporar novas informações sobre a evolução do cenário básico e do balanço de riscos". 
Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, isso quer dizer que o BC aguarda a evolução de indicadores econômicos, como de atividade econômica e inflação, e o desenrolar do cenário fiscal, como a aprovação ou não da reforma da Previdência Social, para tomar novas decisões sobre a Selic. 
"Se a reforma não avança, isso tem impacto negativo sobre as expectativas e sobre a taxa de câmbio, gerando pressões inflacionárias. Neste cenário, o BC pode ser mais ser mais conservador e encerrar o ciclo de corte dos juros", diz. 
Newton Rosa destaca ainda que, apesar do Copom avaliar o ambiente externo como "muito benigno", decisões de política econômica por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, como a reforma fiscal, podem "acirrar" a valorização global do dólar, impactando a taxa de câmbio brasileira e, consequentemente, os índices de inflação. Apesar de suas ponderações sobre a ata, o economista-chefe da SulAmérica prevê taxa de juros a 7% em todo o ano de 2018. 
Atividade 
Já para o economista Miguel de Oliveira, que é diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o fato do BC ter deixado de mencionar um "encerramento" dos cortes na Selic está mais relacionado com uma preocupação com a atividade econômica do que com o lado fiscal. Segundo ele, como os juros reais ainda estão muito elevados, haveria mais espaço para baixar a Selic em 2018. 
No entanto, as eleições gerais que ocorrerão no final do próximo ano se configuram como uma pressão de alta na taxa básica de juros. 
Na ata do Copom, o BC chegou a revisar as suas projeções para a elevação dos preços administrados em 2017, 2018 e 2019. Para este ano, o índice calculado passou para 7,9%, ante os 7,4% expressos no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em setembro. 
No caso de 2018, a expectativa do Copom para os preços administrados é de alta de 5,1%, ante variação de 5,2% verificada no RTI. Já a projeção para os preços administrados de 2019 foi mantida em 4,3%, como já constava no documento anterior 
Em resposta às indagações dos parlamentares na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional ontem, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, repetiu que a perspectiva da autoridade monetária é de que a inflação em 2017 ficará dentro das margens estipuladas para este ano e voltará para próximo do centro da meta no ano que vem. 
Ele disse que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 3,2% e caminhar para 4,3% no próximo. 
"Uma parte da queda na inflação neste ano foi causada pela queda na inflação de alimentos. E essa queda muito forte na inflação de alimentos é boa", afirmou Ilan, citando a deflação de 5% no preço dos alimentos em 2017. "Sem o efeito dos alimentos, a inflação neste ano seria de 4,3%, bem próxima da meta", completou o presidente do BC.

Fonte: (Paula Salati - Panorama Econômico)