Casos de sífilis crescem 27,9% no País

01/11/2017 | 11:58

 

Ministério da Saúde lançou plano para conter doença com foco em grávidas; só 37% iniciam tratamento no primeiro trimestre da gestação. 
O Ministério da Saúde anunciou ontem um plano de ação para tentar reduzir o avanço da sífilis no Brasil. No ano passado, a doença, sexualmente transmissível alcançou níveis epidêmicos e continua a crescer. Entre 2015 e o ano passado, o número de registros entre adultos aumentou 27,9%, passando de 68.526 para 87.593 casos. 
Entre gestantes, o crescimento foi de 14,7%. A forma congênita, quando a infecção é transmitida da gestante para o bebê ainda no útero, também aumentou, mas de forma menos expressiva: 4,7%. Nas duas últimas décadas, já causou a morte de mais de 2.100 bebês. 
A estratégia anunciada ontem reforça ações lançadas no ano passado, quando um pacto para reduzir os casos entre gestantes, seus bebês e parceiros – e também entre a população adulta em geral – foi lançado pelo governo. A medida visava a aumentar a testagem e o início precoce do tratamento. 
Atualmente, cerca de 37% das gestantes iniciam o tratamento da doença no primeiro trimestre da gravidez. O porcentual ainda é considerado baixo, uma vez que a taxa de mortalidade de bebês que adquiriram a doença da mãe, ainda no útero, é quase 13 vezes maior do que a meta traçada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No País, a cada mil crianças nascidas, 6,8 morrem pela doença. A meta de eliminação da sífilis é de que essa relação não ultrapasse 0,5 por 1 mil nascidos vivos. 
“A sífilis é uma doença negligenciada tanto pelo profissional de saúde quanto pela população”, diz a diretora do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken. 
Segundo ela, essa situação precisa mudar rapidamente. “A sífilis mata bebês, provoca abortos e, no caso de adultos, pode provocar lesões no cérebro e problemas nos ossos.” 
Para tentar conter esse avanço, o governo promete comprar 3 milhões de doses de medicamentos para gestantes e para a população adulta, quantidade suficiente para atender um ano da demanda. O ministério deve fazer ainda uma campanha permanente de prevenção. A prioridade será dada para 100 cidades que apresentam o maior número de casos da doença. A estratégia passa ainda pelo treinamento de profissionais de saúde. 
Ministro da Saúde, Ricardo Barros resistiu em falar em epidemia, como fez no ano passado. Segundo ele, agora a “situação está controlada”. 
Avanço. Entre 2010 e 2016, casos de sífilis congênita praticamente triplicaram no País. Há sete anos, 6.946 infecções foram contabilizadas e a projeção para este ano é de 17.818 casos. “Por enquanto, não falamos em queda de casos, mas redução no ritmo do avanço”, afirma Adele, do Ministério da Saúde. 
De acordo com ela, vários fatores explicam o avanço da doença, como a redução do uso de preservativos e a falta de um medicamento para combater a doença durante a gestação, que é aplicado de forma injetável. 

Fonte: (Lígia Formenti - O Estado de São Paulo)