Olhos secos por causa do meio ambiente

Thinkstock

 Do que é feita uma lágrima? De uma mistura de água, óleo e muco. Uma piscada que damos e a lágrima se espalha pela superfície do olho. Ela vai lubrificar, ajudar na oxigenação dos olhos, contribuir para a proteção ocular, lavar substâncias estranhas e manter a superfície do olho hidratada e clara.

 Se não há lágrimas suficientes, se existe um desequilíbrio na composição de água, óleo e muco da lágrima, ou se não piscamos suficientemente, o olho fica seco. Muita gente nem sabe que tem olhos secos, apesar de sentir o desconforto decorrente disso. Muitos fatores, entre eles o envelhecimento, podem causar olhos secos.

 Tire algumas dúvidas frequentes sobre o assunto respondidas pela Dra. Liane Touma Falci, médica oftalmologista, sobre olhos secos causados pelo ambiente em que vivemos ou trabalhamos.

Quais os sintomas de olhos secos?

 Normalmente, são sintomas oculares como sensação de ardência, de queimação, de ressecamento, lacrimejamento, vermelhidão, coceira, oscilação da qualidade visual, visão borrada. 

Como assim, olho seco pode causar lacrimejamento? E esse lacrimejamento vai hidratar o olho?

 O lacrimejamento causado pelo olho seco é composto somente pela parte aquosa da lágrima. Quando algum fator externo, como o ressecamento, irrita o olho, nosso corpo entende que há algo ruim e que precisa ser lavado para fora do olho. Então lacrimejamos. Mas como esse lacrimejamento não contém todas as partes de uma lágrima normal (água, óleo e muco), ele não traz o conforto necessário de volta aos olhos.

Qual estação do ano causa mais olhos secos, inverno ou verão?

 Ambas as estações podem estar relacionadas ao aparecimento de olhos secos de causas ambientais. No inverno, quando temos um clima mais frio e usamos eventualmente calefação, que resseca o ambiente. No verão, quando utilizamos ar condicionado que também remove a umidade ambiental, favorecendo o aparecimento de sintomas de ressecamento ocular.

 Lentes de contato ressecam os olhos?

 A lente em si não causa ressecamento. Com os avanços tecnológicos, houve uma melhora grande dos materiais e da forma de uso das lentes. Fazendo uma escolha adequada e uma adaptação correta, dificilmente ocorrerão sintomas de ressecamento ocular. Mas, caso você sinta ressecamento, repare se você está piscando com frequencia, e também adequadamente, que é quando a pálpebra de cima toca a pálpebra de baixo. 

Computador causa olhos secos?

 Atividades que exigem a manutenção de foco de visão e concentração fazem a pessoa piscar menos do que deveria.A tela do computador é mais um estímulo para manter os olhos abertos. Se a parte superior do monitor estiver acima da linha dos olhos, eles ficam mais abertos ainda, pois temos que olhar para cima, aumentando a área ocular que fica exposta ao ambiente. O que fazer nesses casos?

Pisque frequentemente: em frente ao computador piscamos 5 vezes por minuto enquanto o normal é piscar 10 vezes por minuto.

 Olhe para o infinito: a cada hora ou hora e meia, faça uma pausa de 5 minutos. Nessa pausa, olhe a paisagem ou o outro lado da rua, enquanto você aproveita para alongar seu corpo, que também merece um descanso. 

Colírio ameniza olhos secos?

 Se a causa é ambiental, colírios lubrificantes ou umectantes podem aliviar os sintomas. Eles não devem conter substâncias vaso-constritoras nem corticosteróides em sua formulação. E devem ser usados apenas sob recomendação e supervisão médica, pois são também medicamentos. Mas apenas o colírio não será a solução. É necessário também tratar a causa dos olhos secos, fazendo modificações no ambiente de lazer ou trabalho.

Que modificações?

 Vou citar algumas: não sentar perto de janela com vento;  não sentar em um lugar com incidência direta de ar condicionado, inclusive no carro;  umedecer o ambiente com umidificador ou mesmo com uma planta; ajustar a posição do monitor do computador e como você se senta frente a ele.

 Por último, lembrar de piscar frequentemente e de forma adequada, observando se suas pálpebras se tocam por completo durante cada piscada.

 

Por Lucia Mandel

Fonte disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/estetica-saude