Comer arroz pode mesmo envenenar você? Cientistas dizem que não é bem assim

Como você prepara o arroz? Duas porções de água para cada medida de grãos?

Nos últimos dias, espalharam-se pelas redes sociais alertas de que o arroz que você consome diariamente poderia causar envenenamento. O motivo seria a grande quantidade de arsênio presente nos grãos, mas, segundo especialistas, não é bem assim.

De acordo com Bruno Lemos Batista, professor de química da Universidade Federal do ABC e pesquisador do tema, o arroz consumido no Brasil tem arsênio em quantidade baixas, insuficientes para causar preocupação com problemas de saúde.

"A preocupação maior com o arsênio acontece ao longo da vida, [quando consumido em grandes quantidades] pode eventualmente aumentar a probabilidade de causar doenças", afirma.

A exposição prolongada a grandes quantidades de arsênio pode causar câncer, lesões na pele e doenças no coração, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

 

No entanto, a quantidade de arroz consumida em média no Brasil é considerada segura para a saúde --o consumo médio de um adulto não chega a 100g de arroz por dia. 

Por que as pessoas estão falando disso?

A notícia surgiu depois que o pesquisador Andy Meharg, da Queen's University, na Irlanda do Norte, afirmou em um programa de TV da BBC que a forma como o arroz é cozido, esperando que a água evapore, deixa vestígios de arsênio no alimento, componente químico que pode causar câncer e diabetes.

O debate tem sido feito há alguns anos, com o aumento no número de estudos sobre o elemento químico na dieta. A preocupação, segundo Batista, se dá sobretudo com o consumo em países asiáticos, que têm regras menos rígidas sobre o arsênio no grão e comem mais o cereal --chegando a porções de meio quilo por dia. 

Além disso, há também um aumento de pessoas que consomem alimentos derivados do arroz por seguirem uma dieta sem glúten e o uso de leite de arroz em substituição do leite materno para bebês.

Atualmente, o FDA (órgão norte-americano equivalente à Anvisa) faz estudos para determinar os riscos de longo prazo à saúde desse tipo de alimentação. A agência britânica de vigilância sanitária, por sua vez, orienta os pais a não darem bebidas de arroz em substituição de leite para crianças de até 4 anos.

Fonte: (Bia Souza/Do UOL, em São Paulo)