Suplementação com BCAAs aumenta risco de doenças cardiovasculares

Acúmulo crônico de BCAAs no organismo suprime metabolismo da glicose e maximiza riscos de complicações no coração. Pessoas com risco genético devem ter atenção

Os BCAAs, (aminoácidos de cadeia ramificada) que incluem a leucina, valina e isoleucina, são um subgrupo de aminoácidos derivados da dieta e são essenciais para o crescimento normal e funções celulares. Durante o exercício físico, as principais fontes de energia do organismo são as reservas de glicogênio muscular. Na falta do mesmo, outras fontes são utilizadas. 

Neste contexto, os BCAAs podem ajudar a diminuir a destruição de proteínas intracelulares para uso em energia, poupando as mesmas para uso na reconstituição celular após o exercício intenso. Em alguns casos, há defesa de que a suplementação com esses compostos seria benéfica após o treino e auxiliaria a hipertrofia muscular.

 

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No entanto estudos recentes demonstram uma associação entre as concentrações de BCAAs no organismo e o desenvolvimento de obesidade, resistência a insulina, diabetes e principalmente doenças cardiovasculares.  

Essa semana, um trabalho publicado na revista Cell Metabolism identificou o mecanismo pelo qual o aumento dos níveis de BCAAs no organismo está associado ao risco aumentado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Em modelo animal, os pesquisadores verificaram que o acúmulo crônico de BCAAs no organismo suprime o metabolismo da glicose, o que pode ocasionar uma injúria isquêmica cardíaca. Assim, o risco de complicações cardiovasculares ficaria aumentado.

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Existem hoje identificados muitos genes relacionados ao risco cardíaco. Os indivíduos que apresentam essas variações devem ter um cuidado preventivo maior do que a população em geral. Além disso também existem genes que podem influenciar na metabolização dos BCAAs, fazendo com que algumas pessoas naturalmente acumulem mais essas moléculas no organismo. Aqui, vale ressaltar o cuidado com as suplementações, principalmente para o grupo de pessoas com alto risco genético.

Além dos BCAAs, outros suplementos muito utilizados no esporte também podem aumentar esse risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, entre eles a cafeína. Por esse motivo é fundamental sempre o atleta ter um acompanhamento com profissionais especializados na área, para potencializar o preparo físico sem aumentar os riscos para saúde.

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Referências:  

. Li, T. et al., Defective Branched-Chain Amino Acid Catabolism Disrupts Glucose Metabolism and Sensitizes the Heart to Ischemia-Reperfusion Injury. Cell Metabolism. Volume 25, Issue 2, p374–385, 7 February 2017.

. Ruiz-Canela, M. et al., Plasma Branched-Chain Amino Acids and Incident Cardiovascular Disease in the PREDIMED Trial. Clinical Chemistry, 64:2, 2016.

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